Percurso intercultural na tradução da afropoética feminina
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2358-3231.2025n47p12-33Palavras-chave:
tradução intercultural, Melania Luisa Marte, Raquel Almeida, pretuguês, AAVEResumo
Este artigo propõe uma reflexão crítica acerca da tradução intercultural de autorias femininas afrodiaspóricas, tendo como corpus os poemas “Island Gyal”, de Melania Luisa Marte, e “Menina Princesa”, de Raquel Almeida. A análise busca compreender como o gesto tradutório, quando atravessado por variantes linguísticas insurgentes, como o African American Vernacular English (AAVE) e o pretuguês, pode assumir um papel político, estético e afetivo. Partindo de referenciais teóricos como Walter Benjamin, Haroldo de Campos, Lélia Gonzalez, Leda Maria Martins e John Keene, o trabalho argumenta que traduzir textos afrodiaspóricos exige um olhar atento às marcas culturais e linguísticas que estruturam essas poéticas, sob pena de se incorrer em rasuras que reforçam dinâmicas hegemônicas de apagamento. As decisões tradutórias analisadas – desde a escolha de títulos até o tratamento da oralidade, da rima e da ambiguidade semântica – revelam que a tradução pode atuar como um ato crítico e criativo, abrindo espaços de reinscrição e circulação para a palavra negra. Nesse percurso, reafirma-se a tradução como intervenção cultural capaz de potencializar as experiências partilhadas da diáspora africana.
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