TRAVESSIAS DE MEMÓRIAS E HISTÓRIAS DE DOR: A NEGAÇÃO DO OUTRO EM EXPERIÊNCIAS IMAGÉTICAS MANICOMIAIS ENTRE 1960 E 1980
Palavras-chave:
memória, hospitais psiquiátricos, doença, Ditadura MilitarResumo
O presente trabalho aborda a história da loucura no contexto do século XX, especificamente entre 1960 e 1980, com uma análise focada na História da Sensibilidade. O estudo investiga principalmente o Hospital Colônia localizado em Barbacena, Minas Gerais, e as terapias utilizadas com os indivíduos internados. Foram ponderados aspectos relacionados à dor e às perspectivas de aflição a partir do conceito de loucura e do contexto dos hospitais psiquiátricos no Brasil. Trabalhamos a partir da concepção de memória, no intuito de compreender as sensibilidades sobre a dor do outro, com base na obra O Holocausto brasileiro, de Daniela Arbex, no documentário O Holocausto brasileiro, produzido pela Netflix e dirigido por Armando Mendz e Daniela Arbex, e no filme Nise: o Coração da loucura, de 2015, dirigido por Roberto Berliner. A pesquisa se situa no campo da História da Saúde e da Doença como campo de análise específico, com ênfase na demanda manicomial brasileira e com base teórica em autores como Arbex (2019), Foucault (1977), Halbwachs (2004), Gonçalves (2013), Ramminger (2002), Savassi (1991), entre outros. A metodologia adotada inclui a revisão bibliográfica, que examina pesquisas e debates de diferentes autores sobre o tema, e a análise documental, que organiza informações para consulta. Também foi realizada uma análise de conteúdo voltada para a compreensão dos aspectos históricos presentes nos documentos. Diante do exposto, foi possível compreender os aspectos relacionados à memória e como ela pode ser produzida ou manipulada pelo Estado. A pesquisa revelou que a Ditadura Civil-Militar brasileira utilizou os hospitais psiquiátricos para internar presos políticos como doentes mentais, a fim de silenciá-los. Além disso, foi possível perceber a falta de ética médica durante o século XX, que contribuiu para o internamento de pessoas sem problemas psíquicos, colaborando com o sistema estatal da época. No Hospital Colônia, a falta de moral era tamanha que muitos profissionais sem formação na área da saúde foram contratados e medicavam os internos sem qualificação adequada.
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