Ascensão da queda:
a ironia como dispositivo histórico machadiano
Palavras-chave:
Lágrimas de Xerxes, Machado de Assis, História, IroniaResumo
Um modo historicamente decisivo pelo qual o discurso crítico estabelece formas de compreensão da obra machadiana — incluindo nessa compreensão consequências de sua destinação institucional — se dá por uma relação mobilizadora com o campo da História e do sentido da história, seja pela maneira como a ficção de Machado de Assis dramatizaria os impasses e as contradições de seu tempo, seja como a historicidade radical de seus textos abriria renovadas possibilidades metodológicas para a realização de sua obra, iluminando uma micro-história das práticas, ou ainda, pela contramão, na medida em que a obra convocaria uma possibilidade de relação disposta à responsabilização sincrônica da leitura, abstraindo a necessidade de seu lastro de identificação histórica e nacional. De maneira semelhante, a ironia, enquanto estratégia retórica e pedra angular do estilo do autor, funciona como marca de um “tom” particular de escrita, mas também como elemento fundador de certa desestabilização do sentido a propósito de seu direcionamento mais imediato, embora, por vezes, constitua-se como elemento previamente resolutivo e judicativo dos valores de entendimento da ficção machadiana. Tomando ambos os elementos como pontos de partida tradicionais, mas nem por isso menos complicadores, apresento uma leitura do conto “Lágrimas de Xerxes” (1899), a partir do qual parece ser possível retirar algumas consequências iniciais de como a ficção do autor estabelece certo entendimento interno de historicidade associado à ironia, talvez um nome possível para o dispositivo machadiano de compreensão dos dilemas e contratempos da História.
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