A ARGÉLIA E A LUTA DE LIBERTAÇÃO ANGOLANA

Debates sobre a solidariedade anticolonial

Autores

Palavras-chave:

Argélia, Terceiro Mundo, colonialismo, Angola

Resumo

Após o término da extensa Guerra de Libertação Argelina, o recém-independente país iniciou uma política de apoio às nações ainda sob domínio colonial. Nos primeiros discursos oficiais do então presidente da Argélia, Ahmed Ben Bella, anunciou-se entusiasticamente que a nação norte-africana empreenderia um papel direto na promoção da libertação do continente africano. Nesse contexto, a capital Argel tornou-se uma espécie de centro do terceiro mundo, recebendo refugiados, realizando treinamentos em táticas de guerrilha e hospedando bureaus de diversos movimentos revolucionários, em especial africanos. Esta política fez com que o país recebesse, de Amílcar Cabral, a alcunha de Meca das Revoluções. Deste período, destaca-se a ênfase dada pelo governo argelino, no imediato pós-independência, à luta anticolonial angolana como um dos âmbitos centrais de sua atuação. A presente pesquisa busca problematizar a posição da Argélia no contexto terceiro-mundista, tendo como objeto de estudo o apoio aos movimentos de libertação atuantes em Angola. Esta análise propõe como hipótese que o suporte argelino exerceu um importante papel na fase inicial da Guerra Anticolonial de Angola. Ademais, as motivações do país norte-africano explicam-se principalmente por um projeto político de protagonismo da Argélia nas relações interafricanas. Para alcançar os objetivos, foram articulados os relatos de militantes angolanos que estiveram em Argel na década de 60, relacionando-se diretamente com membros da Frente de Libertação Nacional (FLN), da Argélia; os discursos oficiais de Ben Bella e Houari Boumediene; e relatórios - de viagem ou militares - de combatentes angolanos, que tratam da interação com os argelinos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

CAIO SOUZA MANZOLI, Universidade Federal Fluminense

Mestre em História Social pelo Programa de Pós-graduação da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Referências

FONTES PRIMÁRIAS

JORGE, Paulo. Paulo Jorge (depoimento,1997). Rio de Janeiro: Laboratório de História Oral e Imagem, (1h40min).

LARA, Lúcio. Um Amplo Movimento… Itinerário do MPLA através de documentos de Lúcio Lara (Vol. I - 1961-1962). Lúcio Lara, Lisboa, 2006.

____, Lúcio. Um Amplo Movimento… Itinerário do MPLA através de documentos de Lúcio Lara (Vol. II - 1961-1962). Lúcio Lara, Lisboa, 2006.

____, Lúcio. Um Amplo Movimento… Itinerário do MPLA através de documentos de Lúcio Lara (Vol. III - 1963-1964). Lúcio Lara, Lisboa, 2006.

ORGANIZATION OF AFRICAN UNITY. Speeches and Statements Made at the First Organization Of African Unity (O.A.U) Summit. Addis Abeba, 1963.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALGERON, Charles.Modern Algeria: a History from 1830 to the present. Hurst Company, Londres. 1991

BITTENCOURT, Marcelo. ''Estamos Juntos'' O MPLA e a Luta Anticolonial (1961-1974). 2002. Tese de doutorado. História Social, Universidade Federal Fluminense, 2002.

BOURDIEU, Pierre. Argelia: imágenes del desarraigo. Madri: Centro de Estudios Mexicanos y Centro Americanos, 2008.

BYRNE, Jeffrey. Mecca of Revolution: Algeria, decolonization and the third world order. Oxford: Oxford University Press, 2016

CANCELA, Diego. ''Solidariedade Internacional'' - A Revolução Argelina e os Movimentos Anticoloniais e Antifascistas. Dissertação de Mestrado, Universidade de Coimbra, 2014.

COOPER, Frederick. Condições análogas à escravidão: imperialismo e ideologia da mão de obra livre na África IN: Cooper, Frederick et alli. Além da escravidão: investigações sobre raça, trabalho e cidadania em sociedades pós-emancipação. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.

CONNELLY, Mathew. A Diplomatic Revolution: Algeria's Fight for Independence and the Origins of the Post–Cold War Era. Oxford: Oxford University Press, 2002.

CRUZ, Fábio Lucas da. Brasileiros no exílio: Argel como local estratégico para a militância política (1965-1979). 2016. Tese (Doutorado em História Social) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2016. pp.51-72

DAVIS, Mike. Holocaustos coloniais. A criação do terceiro mundo. São Paulo: Veneta. 2002

DUARTE-PLON, Leneide. A tortura como arma de guerra: da Argélia ao Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016.

FANON, Frantz. Os Condenados da Terra. São Paulo: Zahar, 2022.

___________. A Argélia se desvela. In: CORRÊA, Mariza (org). Ensaios sobre a África do Norte. São Paulo: IFCH/UNICAMP, n°46, 2002.

GLEIJESES, Piero. Conflicting Missions. Havana, Washington, and Africa, 1959-1976. The University of North Carolina Press, 2002

LIPPOLD, Walter. Frantz Fanon e a Rede Intelectual Argelina: circulação de Ideias revolucionárias e sujeito coletivo no jornal El Moudjahid (1956-1962). Tese de Doutorado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2019. pp.28-3

MORTIMER. Robert A.. The Algerian Revolution in Search of the African Revolution.The Journal of Modern African Studies, Vol. 8, No. 3 (Oct., 1970)

PINHEIRO, Patrícia.Misérias do Exílio: Os últimos meses de Humberto Delgado. Alpiarça: Contra-Regra, 1998.

PRASHAD, Vijay. The darker nations: a people's History of the third world. New York: The New Press, 2008.

TELEPNEVA, Natalia. Revolutionaries: the portuguese empire and the rise of african nationalism. In: Cold War Liberation: The Soviet Union and the collapse of the Portuguese empire in Africa, 1961-1975.

YAZBEK, Mustafa. A revolução argelina. São Paulo: Ed. UNESP, 2010.

________, Mustafa. Argélia: a guerra e a independência. São Paulo: Brasiliense, 1983.

Downloads

Publicado

2026-08-01