A CIDADANIA QUE NÃO SE ENSINA
Conteúdo, avaliação e neutralização do dissenso no ensino de História
Palavras-chave:
Ensino de História, Cidadania, Currículo, Avaliação escolarResumo
A cidadania crítica, tal como mobilizada no ensino de História, opera predominantemente como um dispositivo discursivo de legitimação curricular, mais do que como uma prática pedagógica efetiva. Metodologias transmissivas, avaliações conteudistas e a despolitização do conhecimento histórico contribuem para a neutralização do dissenso e para o esvaziamento do potencial crítico da disciplina. Diante desse cenário, o artigo problematiza em que medida é possível formar sujeitos críticos por meio de práticas avaliativas que restringem a interpretação, a leitura situada e o confronto com conflitos históricos. Metodologicamente, o texto configura-se como um ensaio teórico de caráter bibliográfico, fundamentado no diálogo com a pedagogia crítica, a sociologia da educação e a teoria da História. A análise indica que a fragilização do ensino crítico favorece a reprodução de estereótipos e o fortalecimento de hierarquias simbólicas no espaço escolar. Conclui-se que, nas condições analisadas, a cidadania crítica permanece mais como retórica curricular do que como experiência formativa efetiva no ensino de História.
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