O MONSTRO QUE SEMPRE FUI
o discurso sobre prostituição e os assassinatos de Nenê Romano e Antonieta Dina
Palavras-chave:
Nenê Romano, Antonieta Dina, Prostituição, Discurso, MonstruosidadeResumo
Por meio deste artigo, propõe-se uma análise crítica dos discursos que não somente repercutem, mas constituem a vida e a morte das prostitutas Nenê Romano e Antonieta Dina durante as décadas de 1920 e 1930. Para isso, os periódicos “O Combate” e “Diário da Tarde” serão mobilizados de modo a percebermos as reportagens e fotografias jornalísticas como discursos que produzem e perpetuam as violências sofridas pelas meretrizes, projetando sobre elas uma imagem de monstruosidade. Breves, os registros sobre Romano e Dina nas fontes analisadas exigem a adoção de ferramentas teórico-metodológicas como a Teoria da Monstruosidade, o que é feito com o objetivo de esboçar um caminho para a ressignificação do corpo monstruoso, propondo, com isso, uma recusa ao arquivo da prostituição, ainda que a investigação parta inicialmente dele.
Downloads
Referências
Fontes
DIÁRIO DA TARDE. Amor infeliz. 27 de agosto de 1937, p. 8.
DIÁRIO DA TARDE. Amor infeliz. 28 de agosto de 1937, p. 1.
DIÁRIO DA TARDE. Tragédia passional. 30 de outubro de 1923, p. 1.
Gabinete de Identificação e Estatística do Estado do Paraná. Promptuario n. 18 de Antonieta Dina, 2 de abril de 1929.
Gabinete de Identificação e Estatística do Estado do Paraná. Promptuario n. 59.589 de Helena Quadros, 14 de fevereiro de 1935.
O COMBATE. O crime da rua Bento Freitas. 24 de agosto de 1920, p. 1.
O COMBATE. Paixão fatal. 26 de outubro de 1923, p. 1.
O COMBATE. Paixão fatal. 27 de outubro de 1923, p. 1.
Bibliografia
AGUIAR, Nayara Elisa de Moraes. Um Incômodo Moral: o meretrício e seus meios de controle em Curitiba. 2016. 202 f. Dissertação (Mestrado em História) – Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Paraná, Curitiba (PR), 2016.
BENJAMIN, Walter. Pequena história da fotografia. In: As Obras Escolhidas - Magia e Técnica, Arte e Política. São Paulo: Editora Brasiliense, 1996.
FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso: aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970. Trad. Laura Fraga de Almeida Sampaio. São Paulo: Edições Loyola, 2014.
GUIMARÃES, Valéria. Sensacionalismo e modernidade na imprensa brasileira no início do século XX. ArtCultura, Uberlândia, v. 11, n. 18, pp. 227-240, 2009. Disponível em: https://seer.ufu.br/index.php/artcultura/article/view/7315.
HARAWAY, Donna. Manifesto Ciborgue. Ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX. In: Antropologia do ciborgue: as vertigens do pós-humano. Trad. Tomaz Tadeu. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009.
HARTMAN, Saidiya. Vênus em dois atos. Revista Eco-Pós, v. 23, n. 3, pp. 12-33, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.29146/eco-pos.v23i3.27640.
PICCHIA, Menotti Del. Lais. São Paulo: Casa Mayença, 1921.
PRECIADO, Paul B. Testo Junkie: sexo, drogas e biopolítica na era farmacopornográfica. São Paulo: N-1 Edições, 2021.
RAGO, Margareth. As marcas da pantera: percursos de uma historiadora. São Paulo: Intermeios, 2020.
RAGO, Margareth. Os prazeres da noite: prostituição e os códigos de da sexualidade feminina em São Paulo, 1890-1930. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991.
SILVA, Tomaz Tadeu da (org). Pedagogia dos monstros: os prazeres e os perigos da confusão de fronteiras. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons Attribution License que permitindo o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria do trabalho e publicação inicial nesta revista.
Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).


