O SERTÃO TOMA ARES
Modernização conservadora em Mário Palmério (1951–1962)
Palavras-chave:
Mário Palmério, Triângulo Mineiro, TrabalhismoResumo
Este artigo investiga as contradições do projeto desenvolvimentista e os limites do trabalhismo no Brasil Central durante a década de 1950. O objetivo central é analisar a produção política e intelectual do deputado Mário Palmério, desvelando como a retórica da emancipação regional do Triângulo Mineiro operou de modo assimétrico entre os trabalhadores e os criadores de gado zebuíno. Metodologicamente, a pesquisa triangula três feixes de fontes primárias, interpretados sob a chave analítica dos aparelhos de hegemonia: os discursos parlamentares do líder do PTB, sua monografia redigida na Escola Superior de Guerra (ESG) e os diagnósticos territoriais da Revista de Geografia do IBGE. Ancorado na sociologia paulista e na crítica anticolonial, o estudo demonstra que Palmério atuou como um intelectual orgânico do latifúndio; ao arregimentar o povo apenas como chancelador passivo de pautas corporativistas, ele esvaziou o conteúdo reformista e classista de sua legenda. Conclui-se que, nesse território, a "ideologia do subdesenvolvimento" sofreu um agudo processo de transformismo molecular; ela foi sequestrada e instrumentalizada para propagar a "modernização conservadora", estruturando uma engrenagem produtivista que reatualizou lógicas neocoloniais de expropriação e contribuiu para sedimentar a aliança empresarial-militar responsável pela ruptura institucional de 1964.
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