A TRAGÉDIA DA PEDRA DO REINO
Mito, Fanatismo e Ressignificação Cultural no Sertão Nordestino
Palavras-chave:
Sebastianismo, Sertão Nordestino, Pedra do Reino, Residualidade, Ariano SuassunaResumo
O presente artigo analisa a trajetória do mito sebastianista desde suas origens em Portugal até sua cristalização no sertão pernambucano, especialmente no município de Belmonte, onde ocorreu, no início do século XIX, um movimento messiânico liderado por João Ferreira. A investigação articula elementos históricos, culturais e literários, evidenciando como o mito de D. Sebastião atravessou fronteiras geográficas e simbólicas, sendo ressignificado pelas práticas religiosas e pela mentalidade coletiva do Nordeste. A partir das contribuições de Pontes, Raymond Williams e Maria Isaura Pereira de Queiroz, demonstra-se como resquícios culturais, crenças populares e narrativas híbridas se atualizam nas manifestações messiânicas sertanejas. O estudo também discute o modo como Ariano Suassuna incorpora esse imaginário em O Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971), transformando a tradição sebástica em material literário e simbólico. No romance, elementos históricos, folclóricos e míticos são amalgamados, revelando a permanência, a adaptação e a potência cultural do sebastianismo no Nordeste brasileiro. Assim, o artigo evidencia que o mito, longe de desaparecer, reinventa-se continuamente, constituindo um componente essencial da identidade sertaneja.
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