AUMENTO DO DIAGNÓSTICO DE TDAH NA INFÂNCIA CONTEMPORÂNEA
um estudo crítico a partir do modelo biopsicossocial
DOI :
https://doi.org/10.5752/P.2236-0603.2026v13n26p34-51Mots-clés :
TDAH, Infância, Medicalização, modelo biomédico, modelo biopsicossocialRésumé
O artigo analisa criticamente o aumento dos diagnósticos de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) na infância contemporânea, considerando as transformações sociais, culturais e tecnológicas atuais. A infância é entendida como uma construção histórica e social, marcada por mudanças nas dinâmicas familiares e educacionais, bem como pela intensa presença das tecnologias digitais. Embora estudos epidemiológicos apontem prevalências significativas do transtorno, observa-se uma intensificação dos diagnósticos associada à medicalização e à patologização da infância. O modelo biomédico, centrado em critérios sintomatológicos padronizados e biologizantes, contribui para interpretações reducionistas que desconsideram fatores subjetivos, sociais e contextuais. Em contraponto, o modelo biopsicossocial, proposto por George Engel, amplia a compreensão da saúde e da doença ao integrar fatores biológicos, psicológicos e sociais, promovendo intervenções mais contextualizadas, humanas e eficazes. A metodologia adotada constitui uma revisão bibliográfica narrativa de caráter qualitativo, contemplando publicações nacionais e internacionais das últimas duas décadas. Os resultados apontam a necessidade de práticas críticas e interdisciplinares que distingam entre manifestações próprias do desenvolvimento infantil e sinais que demandam intervenção clínica, prevenindo diagnósticos precipitados e medicalização excessiva. Conclui-se que preservar a infância implica reconhecer sua complexidade e integralidade, garantindo o direito da criança a um desenvolvimento saudável e singular.
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