DESIGUALDADES DE GÊNERO NO ASSENTAMENTO DOIS DE JULHO DO MOVIMENTO DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA (BETIM - MG)
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2236-0603.2026v13n25p150-169Palavras-chave:
Gênero, Feminismo, Patriarcado, MST, Psicologia social críticaResumo
Este artigo analisa as dinâmicas de gênero no Assentamento Dois de Julho, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Betim (MG). Desenvolvido como trabalho de conclusão de curso em Psicologia, o estudo buscou compreender como as relações de gênero são vividas no assentamento, a partir das experiências de cinco lideranças femininas, por meio de entrevistas semiestruturadas. Com abordagem qualitativa e fundamentação nos estudos feministas e na psicologia social crítica, identificaram-se práticas de resistência, contradições entre teoria e prática no MST e os efeitos das estruturas patriarcais sobre a participação das mulheres. A análise mostrou que, embora existam avanços institucionais e discursos de igualdade, persistem desigualdades estruturais, como a sobrecarga do trabalho, a desvalorização do cuidado e a sub-representação feminina nos espaços de decisão. Ainda assim, as mulheres constroem formas coletivas de protagonismo, articulando cuidado, militância e solidariedade, promovendo transformações subjetivas e políticas. O estudo reafirma a centralidade da perspectiva de gênero para o fortalecimento do MST e para a construção de um projeto de justiça social ancorado na experiência das mulheres do campo.
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