A CRIANÇA E O DISCURSO PARENTAL NA CLÍNICA PSICANALÍTICA
Palavras-chave:
Crianças; Pais; Psicanálise.Resumo
No contexto da clínica psicanalítica com crianças, a presença dos pais ou responsáveis é um fator extremamente relevante ao tratamento. Com efeito, a queixa inicial relatada pelos responsáveis está permeada por questões que remetem a sua própria história subjetiva. Tais questões também revelam um discurso carregado de expectativas em relação à criança. Diante dessa conjuntura, este estudo objetiva discutir como ideais sociais e conflitos parentais podem estar articulados à queixa parental que motiva o atendimento em psicanálise com crianças. Além disto, o texto pretende refletir sobre a importância de escutar os pais e responsáveis durante o tratamento da criança. Para tanto, será desenvolvido um percurso teórico acerca de ideais e conflitos parentais que podem estar relacionados à queixa inicial, sendo apresentados, em sequência, dois relatos clínicos breves para ilustrar tal relação, utilizando principalmente as contribuições teóricas de Françoise Dolto e Maud Mannoni. Assim sendo, é possível perceber que o sintoma relatado sobre a criança pode se referir aos ideais e conflitos que aparecem na clínica articulados às próprias questões subjetivas dos pais e responsáveis. Conclui-se que um espaço de escuta e acolhimento dos responsáveis é fundamental no atendimento psicanalítico a fim de concerni-los na queixa referida à criança. Além disso, esse espaço pode servir para compreender o lugar que a criança ocupa na dimensão familiar. Desse modo, possibilita-se intervenções terapêuticas que recolocam o sintoma vislumbrado na criança dentro da história subjetiva parental.
PALAVRAS-CHAVE: Crianças; Pais; Psicanálise.
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