ASSISTÊNCIA PSICOLÓGICA AOS ESTUDANTES DE CIÊNCIAS DA SAÚDE: RELATO DE EXPERIÊNCIA NA UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAPÁ
Palavras-chave:
Saúde mental;, Psicoterapia, Universidade, Estudantes universitários., PsicanáliseResumo
Este relato de experiência propõe uma reflexão teórico-prática sobre a psicoterapia clínica como dispositivo de cuidado em saúde mental para estudantes dos cursos da área da saúde da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), diante do crescente mal-estar psíquico no cotidiano universitário. A partir de uma abordagem qualitativa e descritiva, o estudo adota o método de sistematização de experiências de Oscar Jara Holliday, percorrendo os cinco tempos analíticos propostos pelo autor para reconstruir criticamente as vivências do residente nos serviços de psicologia da universidade entre 2022 e 2023. As experiências clínicas revelaram obstáculos significativos, como resistência ao tratamento, dificuldades na formação do vínculo transferencial, abandono precoce da psicoterapia e demandas complexas, variando entre angústias acadêmicas e quadros graves de sofrimento psíquico, como tentativas de suicídio e surtos psicóticos. A escuta clínica, sustentada pela ética psicanalítica, demonstrou-se essencial na desmedicalização dos sintomas e na produção de sentido para os sujeitos atendidos. Apesar da escassez de políticas institucionais de cuidado, o espaço universitário se mostrou fértil para novas formas de subjetivação. Destaca-se, nesse contexto, a importância da transferência no processo psicoterapêutico e o manejo clínico orientado pelas estruturas psicopatológicas freudo-lacanianas. A formação do residente, ancorada na tríade análise pessoal, supervisão e estudo teórico, constituiu-se como suporte ético à escuta clínica. Por fim, a residência multiprofissional revelou-se um território ético-político de cuidado, que vai além do aprendizado técnico, acolhendo e ressignificando os modos de sofrimento dos futuros profissionais da saúde. Nesse cenário, a psicoterapia clínica se afirma como uma forma de resistência simbólica às lógicas de silenciamento e adoecimento que ainda permeiam o ensino superior público no Brasil.
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