A LÍNGUA ESTRANGEIRA NA CLÍNICA PSICANALÍTICA

Autores

  • Arthur Silvério de Oliveira UFSC - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
  • Elaine Cristina Schmitt Ragnini UFPR - UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

Palavras-chave:

Psicanálise, Língua Estrangeira, Migração Humana, Clínica

Resumo

Com o avanço da globalização e a intensificação dos processos migratórios, psicanalistas brasileiros se veem desafiados a atender pacientes que utilizam-se do português como língua estrangeira. Além disso, a presença de analistas brasileiros no exterior faz com que estes também atuem em outros idiomas. Ainda que haja significativa publicação psicanalítica acerca da dinâmica psíquica em sua relação com o fenômeno migratório, especialmente na última década, poucos pesquisadores se debruçaram sobre as implicações práticas da condição migratória no trabalho clínico. Prova disso é a escassa produção psicanalítica sobre o tema das línguas estrangeiras e seus lugares no setting clínico e no manejo da transferência. Para um melhor entendimento da problemática, realizou-se uma investigação bibliográfica sobre o lugar das línguas estrangeiras na clínica psicanalítica no intuito de fomentar e sustentar o debate sobre essa questão que, como veremos, está sendo discutida em segundo plano desde a época de Freud e os primeiros analistas, até os dias de hoje. 

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Publicado

2026-04-30

Como Citar

DE OLIVEIRA, Arthur Silvério; RAGNINI, Elaine Cristina Schmitt. A LÍNGUA ESTRANGEIRA NA CLÍNICA PSICANALÍTICA. Pretextos - Revista da Graduação em Psicologia da PUC Minas, Belo Horizonte, v. 10, n. 19, p. 31–50, 2026. Disponível em: https://periodicos.pucminas.br/pretextos/article/view/36432. Acesso em: 8 maio. 2026.