“Sonoras Mordaças”

Formas de Violência Contra Professores Universitários do Ensino Superior Privado Mercantil

Autores

  • Isael de Jesus Sena
  • Marcelo Ricardo Pereira
  • Leandro de Lajonquière

DOI:

https://doi.org/10.5752/P.1678-9563.2025v31p120-145

Palavras-chave:

professor, ensino superior, mercantilização, violência simbólica, autoridade

Resumo

O objetivo deste artigo é analisar as formas de ameaças e violências vivenciadas por professores que atuam em instituições de ensino superior de caráter mercantil. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, na qual entrevistamos docentes que lecionavam em IES pertencentes a conglomerados educacionais de capital aberto na Bolsa de Valores. Buscamos compreender o lugar do professor e os efeitos subjetivos da mercantilização da educação superior. A incidência do ethos corporativo aplicado à docência tem restringido a capacidade de expressão dos professores, funcionando como "sonoras mordaças", em alusão a Sartre lendo Fanon. A submissão docente tem gerado sentimentos de perseguição e hipervigilância com espectro paranoide, além de desconfiança, insegurança e incerteza, uma vez que a faculdade, comparada a um balcão de negócios, impõe a necessidade de manter o consumidor/aluno satisfeito. Esse modelo de formação universitária produz docentes submissos e anestesiados pela incapacidade de contestação, levando-os, por fim, a uma demissão subjetiva.

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Publicado

2026-07-10

Edição

Seção

Dossiê Entre Conflito e Confronto: A Função Política da Palavra na Educação