DESCAMINHOS DO SABER E A GÊNESE DA MODERNIDADE:
genocídios, epistemicídios desde o “Longo Século XVI”
Resumo
O artigo analisa a gênese da modernidade sob a perspectiva decolonial, evidenciando como os genocídios e epistemicídios ocorridos desde o “longo século XVI” sustentaram a formação de uma hierarquia global de saberes e o estabelecimento de um sistema-mundo eurocentrado. Fundamentado nas contribuições teóricas de Ramón Grosfoguel, Walter Mignolo, Carlos Walter Porto-Gonçalves e Milton Santos, discute-se a colonialidade do poder, do saber e do ser, bem como seus efeitos persistentes na produção do conhecimento geográfico e nas dinâmicas socioterritoriais contemporâneas. Argumenta-se que o projeto moderno, ao universalizar uma racionalidade eurocêntrica e hierarquizar culturas, instituiu um apartheid epistêmico que deslegitimou epistemologias indígenas, africanas e populares, relegando-as às margens do pensamento hegemônico. A modernidade, nesse contexto, é compreendida não apenas como um marco histórico de progresso técnico e científico, mas como um processo histórico de dominação, exclusão e silenciamento de outras racionalidades, espiritualidades e formas de existência. O estudo propõe, portanto, uma reorientação epistemológica que reconheça o caráter pluriversal do conhecimento e valorize os saberes do Sul Global como fundamento de uma ciência comprometida com a justiça cognitiva, o bem viver e a emancipação dos povos historicamente subalternizados. Defende-se que a Geografia crítica tem papel central na descolonização do pensamento, por promover uma leitura espacial capaz de articular saberes locais e globais e construir pontes entre epistemologias distintas. Ao enfatizar a importância de uma ecologia de saberes e de um pluriverso epistêmico, o artigo reafirma a necessidade de uma prática científica ética, plural e transformadora, orientada pela solidariedade, pelo diálogo intercultural e pelo reconhecimento da diversidade epistêmica como caminho para a superação das heranças coloniais e para a construção de uma modernidade mais justa, inclusiva e planetária.
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