ETNIA E SANGUE: RELAÇÃO ENTRE PRECONCEITO RACIAL E ANEMIA FALCIFORME

Autores

  • Alice Eduarda Valadares Pereira Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
  • Aislander Junio Silva Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Palavras-chave:

Anemia falciforme, Preconceito, Conscientização, Etnia, Educação em saúde

Resumo

INTRODUÇÃO: A anemia falciforme é uma doença genética autossômica recessiva caracterizada pela deformação das hemácias, o que compromete o transporte de oxigênio. Essa condição afeta de maneira desproporcional populações afrodescendentes, refletindo não apenas aspectos biológicos e epidemiológicos, mas também consequências históricas do racismo estrutural. A associação entre prevalência elevada e estigmas sociais evidencia desigualdades persistentes no acesso ao diagnóstico, ao tratamento e ao cuidado em saúde. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo promover a conscientização sobre a anemia falciforme e refletir sobre a influência do preconceito étnico na qualidade de vida dos portadores. MATERIAL E MÉTODOS: Foram realizados levantamentos bibliográficos em artigos científicos, documentos institucionais e relatórios epidemiológicos que abordam aspectos fisiológicos, epidemiológicos e socioculturais relacionados à anemia falciforme. A seleção do material considerou produções recentes e relevantes, com foco em estudos que discutem tanto a fisiopatologia quanto a relação entre raça, desigualdade social e acesso aos serviços de saúde. RESULTADOS e DISCUSSÃO: A revisão da literatura revelou maior incidência de anemia falciforme em indivíduos negros, reforçando seu impacto histórico e social sobre essa população. Os dados indicaram ainda elevadas taxas de mortalidade infantil, especialmente nas regiões Nordeste e Sudeste do Brasil, associadas à precariedade no acesso à assistência médica e ao diagnóstico precoce. Persistem relatos de práticas discriminatórias durante o atendimento em saúde, como a crença equivocada de que pessoas negras apresentam maior resistência à dor, o que contribui para subtratamento e negligência clínica. Esses fatores demonstram que a doença transcende os limites da biologia, refletindo desigualdades estruturais que permeiam a sociedade brasileira. O entrelaçamento entre predisposição genética, vulnerabilidade social e racismo institucional amplia o impacto da doença, afetando não apenas a saúde, mas também a qualidade de vida e o bem-estar psicológico dos portadores.

CONSIDERAÇÕES FINAIS: Conclui-se que a anemia falciforme representa um importante desafio de saúde pública e justiça social no Brasil. O enfrentamento dessa condição exige ações integradas, como fortalecimento da educação em saúde, combate ao racismo institucional e expansão de políticas públicas que garantam diagnóstico, tratamento adequado e acolhimento equitativo. Investir em conscientização e formação profissional é fundamental para superar estigmas e assegurar um cuidado digno às populações mais afetadas.

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Publicado

2026-07-13

Como Citar

Eduarda Valadares Pereira, A., & Silva, A. J. (2026). ETNIA E SANGUE: RELAÇÃO ENTRE PRECONCEITO RACIAL E ANEMIA FALCIFORME. Sinapse Múltipla, 15(1), 379–380. Recuperado de https://periodicos.pucminas.br/sinapsemultipla/article/view/38203

Edição

Seção

RESUMOS