Análise das relações entre a geometria urbana e a orientação das aberturas na disponibilidade de iluminação natural no ambiente interno - DOI: 10.5752/P.2316-1752.2013v20n26p151

  • Andréa Coelho Laranja PUC Minas
  • Ricardo Carvalho Cabús PUC Minas
  • Cristina Engel de Alvarez PUC Minas
  • Leilani Gomes Correia PUC Minas
Palavras-chave: Iluminação natural, Orientação das aberturas, Largura de via, Altura da edificação obstruidora.

Resumo

Este estudo apresenta uma discussão relacionada à iluminação natural no ambiente interno, sendo o objetivo da pesquisa analisar as relações entre a geometria urbana e a orientação das aberturas na disponibilidade de iluminação natural no ambiente interno. Na geometria urbana, foram usadas as relações entre a largura de via (L) e a altura da edificação obstruidora (H), adotando-se relações de H=2,0.L, H=2,5.L e H=3,0.L. Para as aberturas, foram usadas as orientações norte, sul, leste, oeste, nordeste, sudeste, noroeste e sudoeste. Na análise, foram realizadas comparações dos valores de iluminância média global do ambiente interno, com os intervalos das UDI (useful daylight illuminance). Para isso, os valores de iluminância média global foram gerados por meio de simulação na ferramenta computacional TropLux, em um ambiente de geometria retangular inserido em um cenário urbano na cidade de Vitória, latitude 20° 19’ S. As simulações foram realizadas para três tipos de céus-padrão da CIE (Commission Internationale L´aclairage). Como principal resultado, constata-se, para os três tipos de céus analisados, a redução das iluminâncias conforme se aumentam as relações entre H e L. Para o céu 3 (encoberto), constatou-se que, para todas as relações da geometria urbana e para todas as orientações das aberturas, todos os valores de iluminância encontram-se no intervalo suficiente, mas com necessidade de iluminação complementar. No céu 7 (parcialmente nublado) e no céu 12 (claro), a maioria das iluminâncias encontra-se no intervalo suficiente, com algumas exceções para as orientações das aberturas para sul, sudoeste, oeste e sudeste. Para todos os céus, constatou-se também que as maiores taxas de decaimento da iluminância do ambiente interno ocorrem quando a relação da geometria urbana varia de H=2,0.L para H=2,5.L. Para o céu 7 (parcialmente nublado) e 12 (claro), conforme aumenta a relação entre a Cadernos de Arquitetura e Urbanismo, v.20, n.26, 1º sem. 2013 152 largura de via e a altura da edificação obstruidora, a variação na orientação da abertura passa a ter cada vez menor influência na iluminância.

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Biografia do Autor

Andréa Coelho Laranja, PUC Minas
Doutora em Arquitetura, professora
adjunta do Departamento de Arquitetura
e Urbanismo, UFES.
Ricardo Carvalho Cabús, PUC Minas
Doutor em Arquitetura, professor
associado do Centro de Tecnologia,
UFAL - CTEC/GRILU
Cristina Engel de Alvarez, PUC Minas
Doutora em Arquitetura e Urbanismo,
professora associada do Departamento
de Arquitetura e Urbanismo,
UFES - Laboratório de Planejamento e
Projetos da UFES.
Leilani Gomes Correia, PUC Minas
Bolsista de iniciação científica Pibic,
Departamento de Arquitetura e Urbanismo,
UFES.

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Publicado
05-02-2014