Recuperação e transfiguração do popular e do medieval no Romanceiro de Almeida Garrett

  • Fernando Maués de Faria Jr. USP
Palavras-chave: Romanceiro de Almeida Garrett, popular, medieval,

Resumo

Segundo Menéndez-Pidal, o romance tradicional - que não se confunde com a acepção moderna do termo, fixada a partir do século XIX - é um poema épico-lírico breve, cantado em reuniões recreativas ou durante trabalhos comuns. Tal gênero tem sua origem na Baixa Idade Média, provavelmente derivando de excertos dos antigos cantares de gesta, de núcleos narrativos que agradavam de forma especial ao povo, que os tomava como episódios isolados. O romance, relegado pelas elites aristocráticas, sobrevivia nos cantares de uma comunidade ágrafa ,sendo transmitido pelo sistema boca-a-ouvido. No entanto, com o advento do Romantismo, no século XIX, o romance tradicional passa a ser visto como elemento representativo do nascimento dos Estados Nacionais modernos. É neste contexto que aparece o Romanceiro de Almeida Garrett. Influenciado por autores como Percy e W Scott, o poeta português investe no recolhimento e posterior recriação dos cantos tradicionais a fim de adaptá-los ao gosto do público letrado do século XIX. Garrett se a podera, assim, de um material temática e esteticamente ligado ao povo e à Idade Média. O objetivo de nosso trabalho é discutir o sentido da recuperação dos romances por Garrett, a lém de refletir sobre os mecanismos de recriação adotados pelo autor e a representatividade deste material de matiz popular e medieval no conjunto do Romantismo português.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

BERARDINELLI, Clconice. D ona Branca ou A Conquista do Algarve. Leituras. Revista da Biblioteca Nacional, Lisboa, n. 4, p. 95- 11 4, primavera de 1999.

BRAGA, Teófilo. Romanceiro gera l. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1867. Camões: Revista de Letras e Culturas Lusófonas, Lisboa, n. 4, jan./ mar. de 1999.

CARVALHAL, Tânia. Literatura comparada. São Paulo: Ática, 1998.

COSTA DIAS, Luís Augusto. Os papelinhos de Garrett. Sintra: Câmara Municipa l de Sintra, 1988.

GARRETT, Almeida. Cancioneiro de romances e xácaras e outros vestígios da antiga poesia nacional pela maior parte conservados na tradição oral dos povos e agora coligidos por J. B. de Almeida Garrett. Coimbra: Faculdade de Letras, 1824.

GARRETT, Almeida. Frei Luís de Sousa. Mira-Sintra: Publicações Europa-América, 1975.

GARRETT, Almeida. Obras completas. Lisboa: Emprcza da História de Portugal, 1904, 2v.

GARRETT, Almeida. Romanceiro. Lisboa: Editorial Estampa, 1985. 3v. Leituras: Revista da Biblioteca Nacional, Lisboa, n. 4, primavera de 1999.

MEN EN DEZ PIDAL, Ramón. Flor nueva de romances viejos. 7. ed: Madrid: Espasa-Calpe, 1985.

PINTO-CORREIA, J. David. O essencial sobre o romanceiro tradicional. Lisboa: Instituto Nacional - Casa da Moeda, 1986.

Publicado
08-10-1999
Como Citar
Maués de Faria Jr., F. (1999). Recuperação e transfiguração do popular e do medieval no Romanceiro de Almeida Garrett. Scripta, 3(5), 73-79. Recuperado de http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/10298
Seção
Parte 1 - Dossiê Almeida Garrett