A gramaticalização e a organização dos enunciados

  • Maria Helena de Moura Neves Universidade Estadual de São Paulo, campus de Araraquara.
Palavras-chave: Linguística, Linguística aplicada, Literatura brasileira, Literatura portuguesa, Literatura angolana, Literatura caboverdiana, Literatura guineense, Literatura moçambicana, Literatura santomense, Teoria da Literatura, Educação

Resumo

Levando em conta o princípio funcionalista básico de motivações em competição, que leva a escolhas funcionalmente motivadas, põe-se sob consideração o processo de gramaticalização, com vista, particularmente, às conjunções ditas subordinativas. Ressaltam as relações entre léxico e gramática, considerando-se, em especial, as alterações graduais de propriedades, verificáveis no funcionamento dos itens, nos diversos níveis da estruturação do enunciado. O exame dirige-se para as construções hipotáticas lato sensu condicionais, vistas no contínuo que vai da factualidade das relações condicionais (e causais) à negação da condicionalidade (e da causalidade), que é a concessividade, passando pelo misto condicional-concessivo. Pretende-se que o exame constitua uma ilustração do equilíbrio instável que caracteriza as gramáticas das línguas, vistas como sistemas em constante adaptação.

 

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Publicado
24-10-2001
Como Citar
Neves, M. H. de M. (2001). A gramaticalização e a organização dos enunciados. Scripta, 5(9), 13-22. Recuperado de http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/11717