Diadorim, delicado e terrível

  • Ana Luiza Martins Costa
Palavras-chave: Literatura brasileira, Teoria da Literatura

Resumo

Apartir de um trabalho de pesquisa no sertão de Minas Gerais e no livro Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa, demonstro que a palavra “vereda” designa não apenas caminho da estrada ou da água, mas é, também, ausência de caminho ou um falso caminho, de aparência enganosa. Essa ambigüidade, presente no título do romance e em todas as suas páginas, é analisada através de Diadorim, tal como evocado por Riobaldo em sua narrativa: um ser ambíguo, estranho e movediço, delicado e terrível, masculino e feminino, que encanta e repulsa. Se Diadorim possui traços femininos, no entanto, também reúne em si as qualidades masculinas mais valorizadas no universo guerreiro dos jagunços: a coragem extrema, o vigor e ferocidade na luta, características
que o colocam lado a lado com os heróis homéricos.



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Publicado
21-03-2002
Como Citar
Costa, A. L. M. (2002). Diadorim, delicado e terrível. Scripta, 6(10), 38-52. Recuperado de http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/12382