Auto-bio-thanato-grafia: a experiência do silêncio em Photomaton & Vox, de Herberto Helder

  • Clara Riso
Palavras-chave: Metatexto, Biografema, Afasia, Epitáfio, Ironia.

Resumo

Em Photomaton & Vox, Herberto Helder reúne uma série de textos de naturezas e origens diferentes, construindo um livro de folhetos com uma arquitetura complexa e instável. A montagem particular do livro alinha num mesmo nível poemas, textos de poética autoral e alguns quadros autobiográficos dispersos e fragmentários. Dispostos lado a lado, constituem uma rede de implicações que desestabiliza a leitura, fazendo com que todos sejam ironicamente colocados sob o signo da dúvida, da hipótese. Assim são também pensados como ambíguos e plurais os biografemas de um sujeito que escreve sempre sobre a sua experiência de escrita. O autobiógrafo fala enquanto o seu texto dura, movendo-se entre o silêncio anterior ao texto e o silêncio que o vai encerrar. Helder chama “(a morte própria)” ao último folheto de Photomaton & Vox e, falando ainda, inscreve aí o seu epitáfio. Depois deste, outros silêncios fecharam livros finais, que novamente foram abertos, recorrentemente, alternando escrita e silêncio, como vida e morte.



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Referências

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Publicado
21-10-2004
Como Citar
Riso, C. (2004). Auto-bio-thanato-grafia: a experiência do silêncio em Photomaton & Vox, de Herberto Helder. Scripta, 8(15), 16-59. Recuperado de http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/12567