Para uma leitura do poema “Fúrias”, de Sophia de Mello Breyner Andresen

  • Clara Rocha
Palavras-chave: Fúrias, Mito, Paródia, Intemporalidade, Contingência.

Resumo

O título do poema “Fúrias”, de Sophia de Mello Breyner Andresen, remete no plano pré-textual para as quotidianas cóleras ou irritações que o determinaram (tal como o título “Contrariedades”, de Cesário Verde), e no plano propriamente textual para a metalinguagem do mito. As deusas da mitologia clássica são convocadas e reconfiguradas neste texto de Sophia, no regime da paródia: dessacralizadas, trivializadas, as Fúrias são aqui a imagem da desordem do mundo atual, que nega ou destrói a ordem essencial da natureza. As representações descritivas das Fúrias ao longo do poema convertem um sentido em forma, ao mesmo tempo que operam a passagem do mito à eventualidade histórica, falando-nos dum tempo “a contratempo” que quebrou a ordem natural do mundo.

 

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Referências

ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner. Ilhas. Lisboa: Texto Editora, 1989.

BARTHES, Roland. Mythologies. Paris: Seuil, [19--] (1. ed. 1957).

GRIMAL, Pierre. Dicionário da mitologia grega e romana. Lisboa: Difel, [19--].

Publicado
21-10-2004
Como Citar
Rocha, C. (2004). Para uma leitura do poema “Fúrias”, de Sophia de Mello Breyner Andresen. Scripta, 8(15), 60-63. Recuperado de http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/12568