Conspiração, paranóia e interpretação: Teatro (1998) e O medo de Sade (2000) de Bernardo Carvalho

  • Clara Rowland
Palavras-chave: Ficção brasileira contemporânea, Bernardo Carvalho, Teorias da conspiração, Paranóia, Leitura, Interpretação.

Resumo

Uma leitura em paralelo de dois textos de Bernardo Carvalho, Teatro e O medo de Sade, permite verificar, em ambos os casos, uma estrutura bipartida que constrói uma conspiração para sucessivamente a invalidar numa deslocação para o olhar que a criou. Proponho-me interrogar a representação da conspiração e da paranóia, nestes textos, como figurações de leitura, em que o movimento de desconstrução do sistema conspirativo através da posterior desestabilização da autoridade de quem o engendrou vem sublinhar, de forma insistente, o poder fundador da interpretação, propondo-se a literatura como um hermético jogo de espelhos de que a visão paranóica do mundo é um reflexo.



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Referências

CARVALHO, Bernardo. Teatro. Lisboa: Cotovia, 1999.

CARVALHO, Bernardo. O medo de Sade. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

ECO, Umberto. Sobreinterpretação dos textos. In: COLLINI, Stefan (Org.). Interpretação e sobreinterpretação. Lisboa: Presença, 1993, p. 45-62.

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LAING, R. D. Knots. London: Penguin, 1972.

Publicado
21-10-2004
Como Citar
Rowland, C. (2004). Conspiração, paranóia e interpretação: Teatro (1998) e O medo de Sade (2000) de Bernardo Carvalho. Scripta, 8(15), 137-148. Recuperado de http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/12574