A categoria aspecto verbal e o ensino: o que os alunos revelam conhecer e/ou entender sobre essa categoria

  • Amanda Carvalho Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
  • Marilene Gonçalves Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
Palavras-chave: Aspecto Verbal. Ensino de Língua Portuguesa. Produção de Sentido. Compreensão Textual.

Resumo

Estudos linguísticos recentes apontam para uma lacuna no trabalho com o aspecto verbal nas aulas de Língua Portuguesa. Travaglia (2016) destaca a pouca atenção destinada ao estudo dessa categoria no Português. Diante desse cenário e da importância do aspecto verbal para a construção de sentidos dos enunciados, investigamos o que os alunos revelam conhecer e/ou entender sobre essa categoria ao serem estimulados a analisar determinados usos verbais. A fundamentação teórica desse artigo é composta por estudos desenvolvidos por Castilho (1968), Comrie (1976), Vargas (2011), dentre outros. Para a realização da investigação proposta, analisamos testes linguísticos feitos com alunos recém-inseridos no ambiente acadêmico. Por meio das análises dos dados, percebemos os efeitos diretos da lacuna atestada anteriormente, uma vez que muitos alunos associaram os efeitos de sentido decorrentes dos usos verbais apenas à identificação dos tempos verbais (presente, passado e futuro), o que pouco revela sobre a funcionalidade dessa classe de palavras numa dimensão da língua em uso. Ainda que certos alunos tenham identificado a aspectualidade nas ações verbais, certas limitações e objeções em suas repostas não revelam um efetivo conhecimento e entendimento da categoria aspectual do verbo. Diante desses resultados, destacamos a importância do trabalho com o aspecto verbal, uma vez que os dados sugerem uma rasa abordagem dada a essa categoria no ensino básico.

 

Referências

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Publicado
23-09-2020
Como Citar
Carvalho, A., & Gonçalves, M. (2020). A categoria aspecto verbal e o ensino: o que os alunos revelam conhecer e/ou entender sobre essa categoria. Scripta, 24(51), 455-486. https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2020v24n51p455-486