Os mortos de línguas cortadas – ficção e realidade em Nove noites, de Bernardo Carvalho

  • Cid Ottoni Bylaardt
Palavras-chave: Ficção e Realidade, Escrita e Morte, Impossibilidade de dizer e de calar.

Resumo

O romance Nove noites, de Bernardo Carvalho, entrelaça morte e escrita numa narrativa intrigante, evidenciando os tênues limites entre realidade e ficção. A realidade dos fatos é buscada tenazmente pelo narrador jornalista, que a partir de certo momento, paradoxalmente, revela a preocupação de que o real arruine a ficção, por mais que esta pareça estar entre as expectativas do leitor. A escritura, entretanto, avança sem se deixar determinar, conduzida por locutores não-confiáveis, indecisos entre a verdade e a mentira, o real e a ficção, desembocando na questão da morte como impossibilidade de dizer e também de calar.

 

Referências

BLANCHOT, Maurice. La part du feu. Paris: Gallimard, 2003.

CARVALHO, Bernardo. Nove noites. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

ECO, Umberto. Seis passeios pelos bosques da ficção. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

MALLARMÉ, Stéphane. Igitur, divagations, un coup de dées. Paris:

Gallimard, 2003.

SARTRE, Jean-Paul. O que é a literatura? São Paulo: Ática, 2004.

Publicado
10-12-2008
Como Citar
Ottoni Bylaardt, C. (2008). Os mortos de línguas cortadas – ficção e realidade em Nove noites, de Bernardo Carvalho. Scripta, 12(23), 98-113. Recuperado de http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/4415
Seção
Dossiê: O neutro e a negatividade - representações da morte na literatura