Fomes, catástrofes e poéticas da Terra:
uma perspectiva interdisciplinar da História Ambiental entre crise e resistência
Palavras-chave:
Fome, História Ambiental, Migração forçada, Arte e sociedade, Degradação ambientalResumo
Este artigo analisa a fome como expressão histórica e ambiental de catástrofes provocadas por ações humanas, a partir de uma abordagem interdisciplinar que integra História Ambiental, ecocrítica e epistemologias ecológicas críticas. O estudo investiga episódios emblemáticos de fome — como a Grande Fome Irlandesa, a fome chinesa do Grande Salto Adiante e a Fome de Bengala — evidenciando a articulação entre degradação ecológica, monoculturas e desigualdade social. No contexto brasileiro, o artigo destaca a “seca de noventinha” e sua representação nas artes. objetivo geral consiste em analisar a fome como uma expressão histórica e ambiental de catástrofes provocadas pela ação humana, relacionando-a às representações artísticas e culturais que elaboram criticamente os impactos da degradação ecológica e da exclusão social. A análise enfatiza o papel das expressões artísticas, sobretudo da obra de Elomar Figueira de Mello, na elaboração poética da escassez, da migração forçada e da devastação ambiental no sertão nordestino. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa e teórica, que mobiliza fontes históricas, obras literárias, iconográficas e musicais, privilegiando uma leitura hermenêutica das representações simbólicas da fome. O artigo contribui para o campo da História Ambiental ao articular natureza, cultura e memória social, ampliando a compreensão das fomes como catástrofes construídas historicamente.
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