v. 26 n. 44 (2026): História Ambiental no tempo das catástrofes
“A água passa por uma frase e por mim.
Macerações de sílabas, inflexões, elipses, refegos.
A boca desarruma os vocábulos na hora de falar
E os deixa em lanhos na beira da voz.”
BARROS, Manoel de. O guardador de águas. Rio de Janeiro: Record, 2006. p. 44.
A partir de fissuras e reverberações, o dossiê se organiza em dois movimentos complementares. Na Seção Historiografia, o leitor encontrará reflexões que desestabilizam certezas e reconstroem categorias, tensionando noções como natureza, desastre e crise à luz do Antropoceno e das epistemologias contemporâneas. São textos que percorrem fundamentos conceituais, desdobramentos políticos e jurídicos e experimentações sensíveis, afirmando a historiografia como prática crítica e situada.
Na Seção Natureza[s], abrem-se caminhos para experiências, conflitos e narrativas plurais, onde a natureza deixa de ser cenário e se afirma como agente, disputa e linguagem. Entre vozes indígenas, desastres minerários, infraestruturas, culturas materiais e deslocamentos de longa duração, os artigos revelam mundos em tensão, onde diferentes formas de vida resistem, negociam e reinventam seus modos de ser no mundo.
O dossiê convida a percorrer não apenas uma história das catástrofes, mas uma história nas catástrofes, feita de rastros, ruídos e insurgências, onde, mesmo diante do colapso, persistem gestos de reexistência e possibilidades de imaginação do natural, comum e coletivo.
História Ambiental no tempo das catástrofes é, antes de tudo, um exercício de ser-sentir-pensar...
Douglas Felipe Gonçalves de Almeida
Capa: Pássaros no poste sob céu nublado. Fotografia de Douglas Felipe. Uberlândia - MG, 7 fev. 2026, 16h57. Fotografia digital (obturador 1/8700 s, f/1.5, ISO 50). Com acessibilidade.
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