ENTRE A INCLUSÃO QUE EXCLUI E A EJA QUE ACOLHE:
OS ‘SOBRANTES’ DO ENSINO MÉDIO DE TEMPO INTEGRAL DAS ESCOLAS CEARENSES
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2594-5467.2025v9n19p164-181Palavras-chave:
Educação integral, Ensino médio em tempo integral, “Sobrantes”, EJA, Inclusão excludenteResumo
: Este artigo analisa as tensões entre educação integral e a expansão do ensino médio em tempo integral a partir do contraste entre os CIEPs cariocas e a política cearense recente, focalizando jovens “sobrantes” que migram para a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Com abordagem qualitativa e analítico-interpretativa, mobiliza narrativas de estudantes cearenses do Maciço de Baturité para compreender como a “inclusão excludente” produz rupturas e deslocamentos pedagógicos (Gentili, 2005, 2008), articulando-as à desfiliação, à subcidadania (Castel, 1998; Souza, 2023) e à perspectiva emancipatória da educação (Freire, 1987). A análise organiza-se em três eixos: (1) tempo integral como promessa de aprendizagem ampliada; (2) produção dos “sobrantes” e migração compulsória para a EJA; e (3) expectativas formativas e projetos de futuro na EJA. Os achados indicam que a ampliação da jornada, embora crie oportunidades, não garante educação integral stricto sensu (Gadotti, 2009; Moll, 2012) nem enfrenta condicionantes de vulnerabilidade (trabalho precoce, maternidade, violência territorial, racismo). A EJA emerge, assim, como política reparadora e espaço de reexistência, recompondo dignidades, vínculos e sentidos de aprender, e exigindo currículos integradores e ações intersetoriais de equidade.
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