ÉTICA ENTRE AS RELIGIÕES POR UMA ECONOMIA MAIS INCLUSIVA
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Resumo
O artigo analisa criticamente a proposta de Hans Küng sobre uma ética mundial, inserindo-a no debate contemporâneo sobre religião, economia e justiça social. O tema central parte da constatação de que o capitalismo, compreendido por autores como Walter Benjamin como uma espécie de religião moderna, exerce profundo impacto nas estruturas sociais e humanas, gerando exclusões e formas de sacralização do mercado. Nesse horizonte, os autores se propõem a investigar de que modo a ética mundial, baseada em valores universais partilhados entre diferentes tradições religiosas e culturais, pode oferecer alternativas de resistência e transformação frente aos desafios globais. O objetivo é destacar a urgência de um ethos comum capaz de promover justiça, dignidade humana e cuidado com a casa comum. O método adotado é teórico-bibliográfico, com análise de textos de Benjamin, Weber, Küng, Boff, Habermas e outros, articulando perspectivas filosóficas, teológicas e sociais. Como resultados, evidencia-se que a crítica ao sistema econômico dominante, quando associada a princípios éticos e religiosos, pode fundamentar transformações sociais mais justas e sustentáveis. O movimento de argumentação combina denúncia e anúncio: denuncia o caráter destrutivo do capitalismo como religião e anuncia a possibilidade de uma ética global que, alicerçada no diálogo inter-religioso e na responsabilidade planetária, aponta para uma esperança de futuro humano mais inclusivo.
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