PLURALISMO RELIGIOSO E PENSAMENTO DECOLONIAL
Conteúdo do artigo principal
Resumo
O texto reúne resultados de pesquisa sobre a relação entre pluralismo religioso e pensamento decolonial. A análise está baseada na organização de aspectos conceituais que foram se agrupando em torno da interface do princípio pluralista com as visões decoloniais. Metodologicamente, a apresentação está organizada em quatro passos. O primeiro procura explicitar como se deu o interesse, ou mesmo a necessidade, pela visão decolonial no processo de formulação do princípio pluralista. O segundo destaca visões relativas à crítica de Achille Mbembe à democracia moderna ocidental, sobretudo a esteira de violência estabelecida desde os processos de colonização até o mascaramento dos esquemas excludentes da realidade social atual, especialmente com a efetivação de necropolíticas e com as formas de racismos estruturais na sociedade. O terceiro realça vozes dissonantes ao projeto colonial, como os grupos negros, indígenas, feministas, LGBTQIA+ e movimentos sociais que buscam a justiça ecossocial e o empoderamento de setores subalternos. Por fim, o quarto trata da noção de interculturalidade crítica, especialmente a partir da visão de Catherine Walsh, que enfatiza essa concepção a partir dos problemas relativos ao poder e o padrão de racialização dele, assim como a diferença colonial construída em função de práticas excludentes.
Downloads
Detalhes do artigo
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attributionque permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja em Inglês O Efeito do Acesso Livre).
Referências
ALTHAUS-REID, Marcella. Deus Queer. Rio de Janeiro: Metanoia; Novos Diálogos, 2019.
ARAGÃO, Gilbraz. Do transdisciplinar ao transreligioso. In: TEPEDINO, Ana Maria; ROCHA, Alessandro (orgs.). A teia do conhecimento: fé, ciência e transdisciplinaridade. São Paulo: Paulinas, 2008, p. 133-148.
ARAGÃO, Gilbraz. Transreligiosidade. In: RIBEIRO, Claudio de Oliveira; ARAGÃO, Gilbraz; PANASIEWICZ, Roberlei (orgs.). Dicionário do pluralismo religioso. São Paulo: Recriar, 2020, p. 288-295.
BARROS, Marcelo. Os segredos de nosso encanto: o que a fé cristã pode aprender com as espiritualidades indígenas e negras. São Paulo: Recriar, 2023.
BHABHA, Homi. O local da cultura. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2001.
BOFF, Leonardo. Ecologia, grito da terra, grito dos pobres: dignidade e direitos da Mãe Terra. Petrópolis: Vozes, 2015.
CUNHA, Carlos. Provocações decoloniais à teologia cristã. São Paulo: Terceira Via, 2017.
DUSSEL, Enrique. Europa, modernidade e eurocentrismo. In: LANDER, Edgardo. (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latinoamericanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005, p. 55-70.
FRANCO, Clarisse de; RIBEIRO, Claudio de Oliveira. A pluralidade religiosa global e nacional em questão. Caminhos, Goiânia, PUC Goiás, v. 18, n. 2, p. 308-324, 2020.
FREIRE, Ana Ester Pádua. Um exame da ideologia das identidades fixas. In: RIBEIRO, Claudio de Oliveira (org.). Princípio pluralista e decolonialidade. São Paulo: Recriar, 2022, p. 175-199.
GEBARA, Ivone. As águas do meu poço. São Paulo: Brasiliense, 2005.
GEBARA, Ivone. Mulheres, religião e poder: ensaios feministas. São Paulo: Terceira Via, 2017.
GIUMBELLI, Emerson. O campo religioso em suas configurações. In: SENA, Emerson; SOFIATI, Flávio (orgs.). Novas leituras do campo religioso brasileiro. São Paulo: Ideias & Letras, 2014, p. 153-175.
GRASSI, Rita; RIBEIRO, Claudio de Oliveira. O lugar e a importância da concepção de diálogo e da noção de interculturalidade nos estudos de religião. Estudos de Religião, São Bernardo do Campo, Umesp, v. 37, n. 3, p. 249-274, set./dez. 2023.
HALL, Stuart. Formations of Modernity. Oxford, UK: Blackwell Publishers Ltd., 1992.
KRENAK, Ailton. A vida não é útil. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.
MORIN, Edgar. Ciência com consciência. 10. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2010.
MBEMBE, Achille. Políticas da inimizade. São Paulo: N-1 Edições, 2020.
MIGNOLO, Walter. Desobediência epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política. Cadernos de Letras da UFF, Niterói, UFF, n. 34, p. 287-324, 2008.
MUSSKOPF, André Sidney. Via(da)gens teológicas: itinerários para uma Teologia Queer no Brasil. São Paulo: Fonte Editorial, 2012.
PUI-LAN, Kwok. Globalização, gênero e construção da paz: o futuro do diálogo interfé. São Paulo: Paulus, 2015.
RIBEIRO, Claudio de Oliveira. O princípio pluralista. São Paulo: Loyola, 2020.
RIBEIRO, Claudio de Oliveira. Religião, decolonialidade e o princípio pluralista. Numen, Juiz de Fora, UFJF, v. 23, n. 1, p. 21-40, 2020.
RIEGER, Joerg. Libertando o discurso sobre Deus: pós-colonialismo e o desafio das margens. Estudos de Religião, São Bernardo do Campo, Umesp, v. 32, n. 34, p. 84-104, jan./jun. 2008.
ROESE, Anete. Ecofeminismo e sustentabilidade. In: SOTER (org.). Sustentabilidade da vida e espiritualidade. São Paulo: Paulinas, 2008, p. 135-172.
SAMPAIO, Dilaine. Ciências da Religião e Teologia como área autônoma: reconfiguração do debate epistemológico, novos desafios e perspectivas para o estudo das (não) religiões e da(s) espiritualidade(s). Horizonte, Belo Horizonte, PUC Minas, v. 17, n. 53, p. 890-914, maio/ago. 2019.
SANTA ANA, Julio de. Ecumenismo e libertação: reflexões sobre a relação entre a unidade cristã e o Reino de Deus. Petrópolis: Vozes, 1987.
SANTOS, Boaventura de Souza. A gramática do tempo: para uma nova cultura política. São Paulo: Cortez, 2010.
SEGATO, Rita. Cenas de um pensamento incômodo: gênero, cárcere e cultura em uma visada decolonial. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2022
.
SIMAS, Luiz Antônio; RUFINO, Luis. Encantamento: sobre política de vida. Rio de Janeiro: Mórula Editorial, 2020.
TOSTES, Angélica; RIBEIRO, Claudio de Oliveira. Polidoxia, entrelugares e fronteiras da cultura e pluralismo religioso. Reflexão, Campinas, PUC Campinas, n. 45, e204892, 2020.
WALSH, Catherine. Interculturalidad crítica/Pedagogia decolonial: apuestas (des)de el in-surgir, re-existir y re-vivir. In: Memórias del Seminário Internacional "Diversidad, Interculturalidad y Construcción de Ciudad". Bogotá: Universidad Pedagógica Nacional, 2007.
WALSH, Catherine. Interculturalidad, Estado, Sociedad: Luchas (de)coloniales de nuestra época. Quito: Universidad Andina Simón Bolívar/Abya Yala, 2009.
WIRTH, Lauri. Religião e epistemologias pós-coloniais. In: PASSOS, João Décio; USARSKI, Frank (orgs.). Compêndio de Ciência da Religião. São Paulo: Paulinas/Paulus, 2013, p. 129-142.