IRMANDADE DA BOA MORTE devoção mariana como arquétipo materno no Recôncavo Baiano
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Resumo
Este artigo analisa a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte de Cachoeira (BA), uma confraria católica composta exclusivamente por mulheres negras e mestiças, vinculadas ao catolicismo e às religiões de matrizes africanas. Essa dupla pertença é um aspecto distintivo da irmandade, refletido na devoção mariana, vista como expressão do arquétipo materno no Recôncavo Baiano. A pesquisa parte da hipótese de que o sincretismo religioso, especialmente com a figura de Nanã, configura uma compensação arquetípica, alinhada à psicologia junguiana. O objetivo principal é compreender como a Irmandade manifesta a dualidade entre Maria e Nanã, configurando-as como faces complementares do arquétipo materno. O artigo busca contextualizar a irmandade histórica e antropologicamente, analisar o sincretismo entre Maria e Nanã, explorando as dimensões simbólicas e arquetípicas dessa relação, e como essas figuras representam aspectos do arquétipo da Grande Mãe. A metodologia é bibliográfica, fundamentada nas teorias de Jung e outros pensadores sobre arquétipos, religiosidade e sincretismo afro-católico. Conclui-se que a Irmandade simboliza a união de elementos católicos e afro-brasileiros, representando um fenômeno de resistência cultural e religiosa que reafirma a força do arquétipo materno no Recôncavo Baiano.
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