KATÉCHON COMO ABORDAGEM METODOLÓGICA breve introdução à Teologia Política na perspectiva de Roberto Esposito
Conteúdo do artigo principal
Resumo
O intuito deste artigo é introduzir o conceito teológico e político Katéchon como uma forma metodológica para refletir sobre a linguagem da Teologia Política. Vamos usar como norte o método bibliográfico, focado no livro “Dois: A máquina da teologia política e o lugar do pensamento” de Roberto Esposito. Neste livro pode-se encontrar uma passagem específica para a discussão do conceito Katéchon como ponto central do funcionamento da Teologia Política. Os dois paradigmas, Teologia Política e katéchon, remetem à obra do jurista Carl Schmitt. Segundo Schmitt, o processo de secularização como a separação da Igreja e Estado não ocorreu definitivamente, mas o que ocorreu ao longo da modernidade foi uma politização de conceitos teológicos. Na leitura de Esposito, essa força refreadora (katechen) seria o ponto central na obra schmittiana, pois seria ela a estrutura lógico-teológica que legitimava a Igreja romana exercer poder histórico. Ora, o poder jurídico em Schmitt estaria ligado intrinsecamente a um modelo refreador, que se apropriaria da lógica teológica para também legitimar seu poder histórico político. Nosso texto, portanto, pretende apresentar uma nova maneira de ler a Teologia Política, não mais tomando como referência exclusiva a crítica da teoria de soberania, mas também a crítica do poder refreador do katéchon.
Downloads
Detalhes do artigo
Autoras e autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autoras e autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution, que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autoras e autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (por exemplo, publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autoras e autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (por exemplo, em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) antes ou durante o processo editorial, já que isso pode aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja em inglês O Efeito do Acesso Livre).
Referências
AGAMBEN, Giorgio. Signatura rerum: sul metodo. Torino: Bollati Boringhieri, 2008.
AGAMBEN, Giorgio. O Reino e a Glória: por uma genealogia teológica da economia e do governo. São Paulo: Boitempo, 2011.
AGAMBEN, Giorgio. Introduzione. In: MELANDRI, Enzo. La linea e il circolo: studio logico-filosofico sull'analogia. Macerata: Quodlibet, 2004.
BARSALINI, G. Religião, violência e política no Brasil. INTERAÇÕES, v. 15, n. 1, p. 8-11, 10 jul. 2020. DOI: https://doi.org/10.5752/P.1983-2478.2020v15n1p8-11.
BARROS, D. F. Atuação teológico-política exclusivista: confrontos em torno de religião e direitos no Brasil contemporâneo. In: SOTO, Boris Briones; HIJERRA, Stefanie Butendieck; CAU, Cremildo António; OPAZO, Andrea Monsálvez. (org.). Breviario multidisciplinario sobre el fenómeno religioso. Buenos Aires: CLACSO, 2019. p. 12-40.
BARROS, D. F. Teologia Política. INTERAÇÕES, v. 15, n. 1, p. 12-41, 10 jul. 2020. DOI: https://doi.org/10.5752/P.1983-2478.2020v15n1p12-41.
BOLTON, Rodrigo Karmy. Carl Schmitt y la política del Anti-Cristo. Räepresentation, forma política e nihilismo. Revista Pléyade, n. 3, p. 25-52. 2009. Disponível em: https://revistapleyade.cl/index.php/OJS/article/view/286. Acesso em: 14 jun. 2026.
BOLTON, Rodrigo Karmy. O Katéchon e a teologia política: entrevista com Rodrigo Karmy Bolton. IHU On-Line, São Leopoldo, n. 430, 21 out. 2013. Disponível em: https://www.ihuonline.unisinos.br/artigo/5244-rodrigo-karmy-bolton-1. Acesso em: 05 fev. 2026.
CAMPOS, Francisco Luís da Silva. A política e o nosso tempo. In: CAMPOS, F. L. da S. O Estado nacional: sua estrutura, seu conteúdo ideológico. Brasília: Senado Federal, 2001
CACCIARI, Massimo. O poder que freia. Belo Horizonte: Âyiné, 2016.
ESPOSITO, Roberto. Dois: a máquina da teologia política e o lugar do pensamento. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2019.
ESPOSITO, Roberto. Immunitas: proteção e negação da vida. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2023.
FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008.
DEUTSCHE BIBELGESELLSCHAFT. Greek New Testament (UBS GNT), 5. ed. Stuttgart, Deutsche Bibelgesellschaft, 2014.
RAMIRO, Caio Henrique Lopes. Em nome da ordem: Carl Schmitt, Francisco Campos e a apocalíptica da Constituição. 2022. 306 f. Tese (Doutorado em Direito) – Universidade de Brasília, Brasília, 2022.
SÁ, Alexandre Franco de. Metamorfose do poder. Rio de Janeiro: Viaverita, 2012.
SÁ, A. F. de. Dialéctica da teologia política. INTERAÇÕES, v. 15, n. 1, p. 42-70, 10 jul. 2020. DOI: https://doi.org/10.5752/P.1983-2478.2020v15n1p42-70.
SCHMITT, Carl. Teologia política: quatro capítulos sobre a doutrina da soberania. São Paulo: Página Aberta, 1996.
SCHMITT, Carl. The Nomos of the Earth: in the international law of the jus publicum europaeum. Candor: Telos Press Publishing, 2006.
VILLACAÑAS, José Luis. Poder y conflito: ensayos sobre Carl Schmitt. Madri: Biblioteca Nueva, 2008.
ZEFERINO, Jefferson. A teologia pública no Brasil: análise de um mapeamento. INTERAÇÕES, Belo Horizonte, v. 15, n. 1, p. 90–107, 2020. DOI: https://doi.org/10.5752/P.1983-2478.2020v15n1p90-107.