O PAPEL DO CORPO NA EXPERIÊNCIA MÍSTICA NO SUFISMO E NA UMBANDA
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Resumo
Este artigo analisa a corporeidade na experiência mística a partir de uma comparação entre o samāʿ, prática ritual presente em diferentes tradições sufis e particularmente sistematizada na tradição Mevlevi, e a incorporação de entidades em uma gira de Umbanda. Partindo da compreensão de que o corpo participa ativamente das experiências religiosas, o estudo busca evidenciar diferenças nos modos de preparação, disciplina, movimento, percepção e relação com o sagrado em cada contexto. A pesquisa articula levantamento bibliográfico sobre o Sufismo, especialmente a partir de estudos sobre a tradição Mevlevi e o samāʿ, e observação participante realizada em um terreiro de Umbanda em Betim-MG. No samāʿ, o corpo é inserido em um percurso de formação espiritual que articula movimento, música, respiração, atenção e disciplina, sendo a experiência do wajd uma das possibilidades de vivência associadas à prática, cuja intensidade varia conforme a trajetória espiritual do praticante. Na Umbanda, a corporeidade participa da incorporação e da manifestação das entidades, envolvendo gestos, movimentos, posturas, voz e formas de interação com consulentes e outros médiuns. A análise evidencia que, embora ambas as práticas mobilizem o corpo na experiência religiosa, elas atribuem à corporeidade funções e significados distintos. No samāʿ, o corpo integra um percurso disciplinar de formação e aprofundamento espiritual; na gira, constitui um elemento de mediação entre médium, entidade e comunidade. A comparação, portanto, privilegia as diferenças entre as duas configurações religiosas, destacando como seus sistemas rituais e cosmologias produzem modos específicos de compreender e vivenciar o sagrado por meio do corpo.
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