RELIGIÃO VIVIDA NO SISTEMA PRISIONAL uma análise do ethos narcorreligioso e suas tecnologias de poder
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Resumo
O presente artigo analisa a religião vivida no sistema prisional paraibano, compreendendo-a como uma dimensão constitutiva das dinâmicas sociais e simbólicas no cárcere. O estudo tem como objetivo investigar o ethos narcorreligioso como operador analítico capaz de evidenciar a imbricação entre práticas religiosas vividas e normatividades oriundas das dinâmicas do crime. Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa, ancorada na análise de discurso de inspiração foucaultiana, na observação participante, pesquisa bibliográfica, documental e em registros etnográficos. Os resultados indicam que as práticas religiosas vividas no cárcere operam como tecnologias de poder e dispositivos de subjetivação, produzindo formas específicas de regulação moral, pertencimento coletivo e legitimação simbólica. Evidencia-se que o ethos narcorreligioso constitui um modo de ser socioespiritual que articula fé, religião vivida, disciplina e ordem, atuando tanto na gestão das condutas quanto na produção de sentidos para a experiência na ambiência criminal. Conclui-se que tais práticas não apenas oferecem repertórios de significado e estratégias de sobrevivência aos sujeitos sociais criminosos, mas também funcionam como mecanismos de controle difuso, atravessados por relações de poder que reconfiguram identidades, produzem hierarquias internas e instituem regimes de verdade no interior da ambiência criminal e nas unidades prisionais. Desse modo, a religião vivida revela-se central para a compreensão das dinâmicas contemporâneas da categoria narcorreligiosa, tensionando as fronteiras entre dominação, agência e subjetivação.
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