Chamada para publicação - Revista Scripta (PUC Minas) - vol. 30, nº 70

29-09-2026

DOSSIÊ “TRABALHO E RESISTÊNCIA EM JOSÉ SARAMAGO”

Apresentação da chamada

O dossiê “Trabalho e resistência em José Saramago” propõe aos autores uma reflexão profunda sobre as dinâmicas laborais, a exploração e a dignidade humana na obra do Nobel português. O lançamento desta publicação coincide com a efeméride histórica dos 140 anos do primeiro 1.º de Maio (1886–2026), conectando as lutas operárias históricas com a herança literária e social do autor português.

Organizadores

Dr. Daniel Vecchio (USP/FAPESP)
Dr. Pedro Fernandes de Oliveira Neto (UFRN)
Dra. Vera Lopes da Silva (PUC Minas)

Apresentação do dossiê

No ano em que se assinalam os 140 anos do primeiro 1.º de Maio, cuja origem remonta às históricas greves de Chicago em 1886 pela jornada de oito horas, ainda lutamos por uma jornada laboral digna. Desse modo, a herança das lutas operárias e a centralidade do mundo do trabalho ganham uma urgência renovada no debate contemporâneo. Como reflexo e motor da memória dessa luta social, a literatura saramaguiana emerge como um dos mais vigorosos monumentos estéticos dedicados à classe trabalhadora. É sob o signo dessa efeméride que a Revista Scripta, periódico quadrimestral do Programa de Pós-graduação em Letras e do Centro de Estudos Luso-afro-brasileiros da PUC Minas, apresenta o dossiê “Trabalho e resistência em José Saramago”.

José Saramago, cuja trajetória pessoal e intelectual esteve indissociavelmente ligada à consciência de classe e ao ativismo político, fez do seu projeto literário um espaço de visibilidade para os trabalhadores. O trabalho, na obra do autor, não é mero pano de fundo decorativo, pelo contrário, é um leitmotiv na constituição de seus romances. Verifica-se isso desde a construção do romance Claraboia (1953), cujos personagens, não por acaso moradores de espaço comum, revelam-se e relacionam-se pelo seu condicionamento ao trabalho. É também a força que molda a história, a identidade e a opressão dos sujeitos, como os camponeses alentejanos de Levantado do Chão (1980), que transformam a labuta e a fome em semente de resistência coletiva, e cuja luta pela jornada de 8 horas é simbolizada pelo assassinato do camponês José Adelino dos Santos. Cabe ressaltar ainda a luta dos operários anônimos que ergueram o imponente Convento de Mafra em Memorial do Convento, romance no qual Saramago inverte a perspectiva histórica oficial que relega a construção desse monumento apenas à figura do rei D. João V. A exemplo dessas e das suas demais obras literárias, Saramago aponta que quem escreve a história não são os reis ou os latifundiários, mas os braços que carregam as pedras e colhem o trigo.

Este dossiê reunirá artigos científicos, ensaios e recensões que explorem as múltiplas dimensões do labor na ficção saramaguiana, dividindo-se em três eixos teóricos fundamentais:

  • A arqueologia da exploração: Análises sobre a representação saramaguiana do trabalho pré-industrial e da exploração das forças produtivas que sustentaram os impérios e os mitos nacionais portugueses;
  • O advento do capitalismo tardio: Reflexões a partir de obras como A Caverna, em que o artesão tradicional (o oleiro) é engolido pela engrenagem do consumo massificado e pela desumanização do espaço urbano (o Centro);
  • A solidariedade como práxis: Estudos saramaguianos focados nas formas de organização, na consciência de classe e na emancipação dos trabalhadores frente às estruturas opressoras do Estado e do Capital.

Ao cruzar a celebração dos 140 anos do Dia Internacional do Trabalhador com a hermenêutica saramaguiana, este volume reafirma o papel da literatura como arquivo da memória social e instrumento de desalheamento. Portanto, convidamos a comunidade acadêmica e os leitores a contribuírem com este número, lembrando, com Saramago, que a dignidade humana se constrói e se defende na linha de frente do trabalho cotidiano.

 

Outras informações importantes:

1) Para acessar a revista:  https://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/index ;

2) Normas para submissão: https://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/about/submissions ;

3) Período de submissão:  01/10/2026 a 30/11/2026, pelo sistema eletrônico de editoração de periódicos: https://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta ;

4) Idiomas: português, espanhol, francês, inglês e italiano;

5) Previsão de publicação: abril de 2027;

6) O texto deve ser submetido nas seções artigo, resenha, entrevista, conforme o caso. O proponente deve inserir mensagem ao editor com os seguintes dizeres: texto enviado para o v. 30 n. 70.

7) Os proponentes podem ser doutores, mestres, doutorandos e mestrandos.  Graduandos podem participar apenas como coautores, tendo seu orientador como autor principal.

8) A submissão no sistema deve apresentar todas as informações solicitadas. Não serão autorizadas inserções de dados de autores que não tenham sido cadastrados no ato da submissão.

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