Teorias dos gêneros literários e variação histórica do sujeito
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2025v29n65p22-48Palavras-chave:
Gênero literário , sujeito, história, hypokeimenon, subjetivação.Resumo
Colocando em pauta as figuras de leitor, autor, narrador e personagem no processo enunciativo, conjuntamente com noções como discurso, vozes sociais, sujeito, alteridade, houve uma profusão de interpretações sobre os gêneros na segunda metade do século XX, sejam eles literários ou não. Contudo, esse imbricamento entre o sujeito e os gêneros pode remontar mesmo à Antiguidade, com especial destaque para as proposições platônico-aristotélicas. Partindo desse contexto, o presente estudo tem o objetivo de analisar a relação entre as teorias dos gêneros e os modos de subjetivação historicamente situados, tendo em mente a contraposição entre a Antiguidade Clássica e a Modernidade. Para tanto, procura-se estabelecer o contraste entre as teorizações inaugurais de Platão e de Aristóteles e a discussão moderna do sujeito em sua relação com os gêneros, passando por nomes como Descartes e Friedrich Schlegel, até localizar suas ressonâncias no pensamento do primeiro Bakhtin. Em vez de uma história dos gêneros, a grande abrangência temporal aliada à variedade de autores neste trabalho atende ao intento de sustentar a hipótese de que o sujeito, em sua variação histórica, constitui-se como um elemento basilar na caracterização dos gêneros. Portanto, não se procura desenvolver uma análise detalhada dos autores observados individualmente, mas, aos moldes de um projeto genealógico, vislumbrar continuidades e descontinuidades nas relações entre os gêneros e os modos de subjetivação historicamente situados.
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