A encenação da memória como ato de imaginação (re)criador da identidade cultural moçambicana em Palestra para um morto, de Suleiman Cassamo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2025v29n65p165-196

Palavras-chave:

Literatura moçambicana, memória, identidade cultural, encenação, Suleiman Cassamo

Resumo

O artigo propõe uma leitura do romance Palestra para um morto, de Suleiman Cassamo, que privilegia a encenação da memória como ato de imaginação (re)criador da identidade cultural moçambicana. Preliminarmente, retoma a noção do ser humano como “espécie fabuladora”, e sua capacidade de se deslocar ao passado e ao futuro por meio de narrativas. Em momento posterior, aborda como as ficções ajudam-nos na criação do eu e qual é o papel da memória nessa elaboração. Entrando enfim no romance, analisa algumas estratégias de encenação presentes na obra, a saber: a escolha narrativa de manter duas cenas enunciativas na construção do romance, uma fixa e outra móvel, ambas, porém, regidas pelo narrador. Em seguida, aborda o mito bíblico da Criação para tratar da associação entre forma e conteúdo no romance, destacando a função do número sete na composição da obra. Na sequência, faz uma discussão sobre memória oficial e memória coletiva para compreender quais memórias são encenadas no livro. Por fim, retoma, ciclo a ciclo, o modo a partir do qual a encenação da memória dá-se no romance estudado.

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Biografia do Autor

Cleonice Aparecida Machado de Freitas, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Doutoranda em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) e bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Mestra em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da PUC-MG.

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Publicado

31-12-2025

Como Citar

FREITAS, Cleonice Aparecida Machado de. A encenação da memória como ato de imaginação (re)criador da identidade cultural moçambicana em Palestra para um morto, de Suleiman Cassamo. Scripta, Belo Horizonte, v. 29, n. 65, p. 165–196, 2025. DOI: 10.5752/P.2358-3428.2025v29n65p165-196. Disponível em: https://periodicos.pucminas.br/scripta/article/view/35362. Acesso em: 17 abr. 2026.