Rasuras digitais e memória digital na escrita acadêmico-científica
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2025v29n66p380-411Palavras-chave:
rasura digital, memória digital, alteridade, escrita acadêmico-científicaResumo
Neste artigo, busca-se desenvolver uma reflexão teórico- analítica sobre as rasuras digitais presentes na produção escrita de universitárias, com a finalidade de identificar os modos como se mostram, na atuação da memória digital, as negociações do sujeito-escrevente com os diferentes Outros constitutivos do (seu) dizer. Tem-se como ponto de partida uma perspectiva enunciativo-discursiva de linguagem, de língua e de escrita, alicerçada na confluência de contribuições teóricas de estudos sobre a rasura (por exemplo, Calil, 2004; 2006; Capristano, 2013; Machado, Capristano e Jung, 2019; estudos sobre os gêneros do discurso (Bakhtin, 2003; Komesu, 2014); estudos sobre memória digital (Dias, 2018); e estudos sobre as heterogeneidades enunciativas (Authier-Revuz, 1990; 1998; 2004). O corpus foi composto por 130 rascunhos digitais de resenhas acadêmicas, produzidas por alunas de um curso de Pedagogia. A análise das rasuras digitais identificadas nesses rascunhos foi desenvolvida de forma quanti-qualitativa, inspirada em princípios do Paradigma Indiciário (Ginzburg, 1983). Foram identificadas e analisadas 614 rasuras digitais. Como resultado, foi possível sustentar a hipótese de partida de que as rasuras digitais funcionam como movimentos retrospectivos que sinalizam o sujeito negociando com diferentes Outros na constituição do (seu) projeto de dizer. Nessa negociação, é possível inferir a atuação da memória digital que acomoda os sentidos algoritmizados, mas, também, a possibilidade de ruptura, dada a diversidade social e histórica dos sujeitos que enunciam, da língua e da escrita.
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