Corpos disciplinados, vozes silenciadas
uma análise de Corpo desfeito (2022), de Jarid Arraes
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2025v29n65p197-224Palavras-chave:
corpo disciplinado, crítica feminista, interseccionalidade, feminismo negro, Corpo desfeitoResumo
Este artigo propõe uma análise do romance Corpo Desfeito (2022), da escritora brasileira Jarid Arraes, por intermédio de um corpus crítico-teórico feminista com o intuito de refletir como o sistema político e cultural do patriarcado tem operacionalizado dispositivos de poder que alocam as mulheres em posições de inferioridade e invisibilidade submetendo-as a opressões, controles de seus corpos e violências de diferentes formas ao longo da história ocidental. Buscamos debater as estratégias éticas, políticas e estéticas do romance cujas tessituras abrem espaços para compreendermos o texto literário como lugar de reflexão, resistência e re-existência, e sobre temas, pautas e agendas cruciais para as mulheres em termos de equidade, ampla liberdade e não-violência. Consideramos, ainda, a complexidade de fatores que atravessam as experiências das mulheres por meio de uma leitura crítica interseccional que considera marcadores sociais como gênero, raça/etnia, classe/economia, sexualidade, religiosidade e lugar. Nossa fundamentação teórica está embasada em estudos de Elódia Xavier (2021), Cecil Zinani (2011), Carla Akotirene, (2019), Lélia Gonzalez (2020), Sueli Carneiro (2019) e Cida Bento (2022).
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