Alteridade e aquisição de língua estrangeira (inglês) na Educação de Jovens e Adultos
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2025v29n66p288-316Palavras-chave:
alteridade, aquisição de linguagem , língua estrangeira, educação de jovens e adultosResumo
Este artigo consiste numa tentativa de observar a relação do adulto com o outro (alteridade) e o Outro (alteridade radical) na aquisição de uma língua estrangeira (inglês). Assumimos a proposta interacionista, inaugurada pela pesquisadora Cláudia de Lemos no campo da aquisição de linguagem, que, amparada pelo estruturalismo linguístico e pela psicanálise lacaniana, considera a língua como uma alteridade radical cuja função de captura permite conceber o sujeito como capturado pelo funcionamento linguístico-discursivo e, por consequência, permite ver as mudanças que qualificam sua trajetória de não falante para falante e de não-escrevente para escrevente. Colocamos em destaque quatro cenas ocorridas em sala de aula, que apontaram que assim como a criança em aquisição de linguagem necessita de representações simbólicas, isto é, precisa ser colocada em situações de fala e de escrita, na aquisição de uma segunda língua essas representações também são determinantes para a captura do adulto. O que faz com que haja, na aquisição de uma língua estrangeira, uma alteridade ainda mais radical, visto que devido à resistência à nova língua, o outro (professor) precisa observar as fissuras que aparecem para, assim, mobilizar o estudante em direção ao Outro, consequentemente à língua, podendo haver ou não captura, uma vez que essa por ser da ordem do inconsciente e, portanto, singular, necessita que o sujeito se deixe ser capturado, diferente da língua materna que já está lá antes do sujeito vir a ser.
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