Autoria no plano da constituição interativa eu-outro
estudo da arquitetônica das posições no enunciado
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2025v29n66p502-536Palavras-chave:
autoria, relações dialógicas, enunciado, arquitetônica, charge continuadaResumo
Segundo a perspectiva dialógica, a noção de autoria evoca, no plano estético-literário, um nível especial de realização da alteridade, pois refere-se à consciência que abrange e conclui a consciência do personagem (Bakhtin, 2023). Entendendo-se a relação eu-outro como uma condição inalienável de todo discurso, este trabalho objetiva, de maneira geral, examinar o fenômeno da autoria, situando sua importância para o estudo das criações verbais. Assim, são objetivos específicos: i) definir a autoria como posição estética criativa organizadora do enunciado e a sua relação com a forma arquitetônica e a forma composicional; ii) averiguar em que medida a noção de autoria, no plano estético, se estende à análise de um enunciado de natureza diversa ao romance. A pesquisa seguiu a abordagem qualitativa, caracterizando-se como descritiva, bibliográfica e documental. A fundamentação consistiu em estudos da teoria dialógica da linguagem e de sua vertente brasileira, a análise dialógica do discurso (ADD). Os resultados apontaram a autoria como uma função interna do enunciado que autoriza um conjunto de valorações e cria posições essencialmente ligadas a uma estrutura dialógica simultaneamente estável e dinâmica – a forma arquitetônica, instância da expressão da
atitude valorativa do autor com o conteúdo realizada por um todo material organizado. Essa autoria pôde ser verificada num enunciado do cartunista Maraska, produzido para o movimento charge continuada, na projeção de uma voz que, frente à intencional reprodução de elementos de uma obra censurada, organizou um plano de relações completamente singular pela interdiscursividade estabelecida com uma tela artística de terror.
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