Enunciação e memória discursiva:

análise do verbo ‘sextar’

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2025v29n66p537-566

Palavras-chave:

enunciação , memória discursiva , predicação autonômica, verbo sextar, redes enunciativas

Resumo

Este trabalho analisa o funcionamento enunciativo do verbo “sextar” a partir da semântica da enunciação. Com base nos aportes teóricos de Guimarães e Dias, observa-se que o verbo opera como predicação autonômica, abrigando internamente uma formação nominal vinculada à memória discursiva da sexta-feira como marco simbólico entre trabalho e lazer. Foram examinadas seis redes enunciativas com dados coletados no Twitter, evidenciando diferentes modos de atualização da memória e de construção da pertinência enunciativa. A análise demonstra que “sextar” funciona de forma semelhante a verbos de fenômenos da natureza, ativando sentidos mesmo sem sujeito gramatical explícito. Além disso, sua produtividade morfossintática permite usos variados - como gerúndio, infinitivo e formas substantivadas -, tornando-se índice de experiências individuais e coletivas. A circulação do verbo revela o entrelaçamento entre linguagem, tempo social e identidade, confirmando que o sentido se constitui na articulação entre memória e atualidade.

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Biografia do Autor

Luiz Francisco Dias, Universidade Federal de Minas Gerais

Professor Titular da Faculdade de Letras da UFMG. Doutor em Linguística.

Thalita Nogueira Dias, Enunciar/UFMG

Possui graduação em Letras - Português e Inglês pela Universidade do Estado de Mato Grosso (2014), mestrado em Linguística pela Universidade do Estado de Mato Grosso (2017) e doutorado em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (2022). Atualmente é credenciada como docente e orientadora do Curso de Especialização em Língua Portuguesa da Universidade Federal de Minas Gerais

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Publicado

31-12-2025

Como Citar

DIAS, Luiz Francisco; DIAS, Thalita Nogueira. Enunciação e memória discursiva: : análise do verbo ‘sextar’. Scripta, Belo Horizonte, v. 29, n. 66, p. 537–566, 2025. DOI: 10.5752/P.2358-3428.2025v29n66p537-566. Disponível em: https://periodicos.pucminas.br/scripta/article/view/36315. Acesso em: 31 mar. 2026.