Enunciação e memória discursiva:
análise do verbo ‘sextar’
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2025v29n66p537-566Palavras-chave:
enunciação , memória discursiva , predicação autonômica, verbo sextar, redes enunciativasResumo
Este trabalho analisa o funcionamento enunciativo do verbo “sextar” a partir da semântica da enunciação. Com base nos aportes teóricos de Guimarães e Dias, observa-se que o verbo opera como predicação autonômica, abrigando internamente uma formação nominal vinculada à memória discursiva da sexta-feira como marco simbólico entre trabalho e lazer. Foram examinadas seis redes enunciativas com dados coletados no Twitter, evidenciando diferentes modos de atualização da memória e de construção da pertinência enunciativa. A análise demonstra que “sextar” funciona de forma semelhante a verbos de fenômenos da natureza, ativando sentidos mesmo sem sujeito gramatical explícito. Além disso, sua produtividade morfossintática permite usos variados - como gerúndio, infinitivo e formas substantivadas -, tornando-se índice de experiências individuais e coletivas. A circulação do verbo revela o entrelaçamento entre linguagem, tempo social e identidade, confirmando que o sentido se constitui na articulação entre memória e atualidade.
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