“O senhor escute, me escute mais do que eu estou dizendo”
o Grande sertão: veredas como espaço de escuta
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2025v29n67p518-544Palavras-chave:
João Guimarães Rosa, Grande sertão: veredas, escuta , leitor, som e sentidoResumo
O presente texto propõe refletir sobre o clássico romance roseano Grande sertão: veredas (1956) como um espaço de escuta. Partimos das marcas fônicas evidenciadas no texto – a arquitetura dos sons e o ritmo engendrado por suas combinações – e discutimos o papel do interlocutor que está à escuta de Riobaldo. No percurso do trabalho, o aspecto fônico da língua será destacado a partir de uma abordagem que busca interpretar a noção de escuta como constitutiva das relações entre som e sentido, colocando em diálogo os campos dos estudos literários e dos estudos da linguagem. Para tanto, mobilizaremos as noções de Saussure (1977), D’Ottavi (2022) e Coursil (2000), para, com base nelas, pensarmos a situação de interlocução posta em cena pela narrativa, e de Jakobson (1977; 2010) e Genette (s.d.), para refletirmos sobre a posição daquele a quem essa narrativa se destina. Nesse contexto, a figura do leitor do romance enquanto um “leitor-escutador”, que, na leitura, é o tempo todo afetado pela sonoridade do texto, terá especial importância para o argumento. De modo geral, nossas conclusões apontam para o esforço do narrador em manter sempre vivo o diálogo com o seu interlocutor, apostando na não passividade de quem o escuta, a que o leitor do Grande sertão também acaba por corresponder.
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