Lá onde se lê “intersubjetividade”, leia-se “diálogo”
Benveniste e o “problema do ‘outro’”
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2025v29n66p83-128Palavras-chave:
intersubjetividade, diálogo, alteridade, enunciação, Émile BenvenisteResumo
Este artigo tem por objetivo submeter a um exame crítico o problema do “outro” na teorização enunciativa de Émile Benveniste. Como ponto de partida, toma-se uma nota manuscrita do linguista em que se lê: “o problema do ‘outro’ (frequente, a estudar)”. Se é verdade que não houve tempo para Benveniste dedicar um “estudo” exclusivo a tal problema, não é menos verdade que este é “frequente” em sua obra, do que dão testemunho quatro artigos aqui examinados, os quais cobrem diferentes décadas de sua carreira, sendo marcos de um percurso intelectual que vai dos anos 1940 aos anos 1960. Após a análise individual de cada texto, procede-se a uma análise de conjunto, cujos resultados permitem sustentar duas conclusões. Primeira conclusão: se o eu é pessoa subjetiva e o tu é pessoa não subjetiva, visto que apenas o eu enuncia, então a relação enunciativa define-se em termos não de intersubjetividade (relação entre “sujeitos”), mas de diálogo (relação entre locutores, cada um dos quais se situa alternadamente como sujeito ao enunciar). Segunda conclusão: o problema do “outro” é teorizado por Benveniste sob dois ângulos – por um lado, como condição de diálogo (polaridade fundamental) fundante da enunciação e, logo, anterior a ela; por outro lado, como estrutura do diálogo (consequência pragmática) instalada pela enunciação e, assim, posterior a ela.
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