Nos nichos domésticos
a criança e o outro no jogo do funcionamento da língua(gem)
DOI:
https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2025v29n66p235-287Palavras-chave:
língua, discurso, diálogo, Saussure, singularidadeResumo
Este artigo, cujo foco incide sobre episódios da trajetória de crianças brasileiras com o português, completados com episódios do francês-língua materna, encerra uma amostra de situações variadas, que nos dá acesso a refletir sobre a língua(gem) nos anos da infância. Para tanto, buscamos a contribuição teórica de autores exponenciais da linguística geral. O trabalho adota a metodologia longitudinal naturalística, voltando sua atenção para a relação da criança (i) com a língua e (ii) com o outro – cenário empírico de uma proposta que, deste modo, se inscreve no tema alteridade, sem perder de vista fatos de língua. A pesquisa assume o diálogo como unidade de análise (De Lemos, 2002), contemplando trocas verbais da criança com o adulto (situação mais frequente) ou da criança com outra criança, nos nichos domésticos. Buscamos o cenário natural (não elicitado) que possibilita visualizar de que modo, entre 2 e 5-6 anos, a criança inicia sua relação com a língua materna, em episódios que permitem entrever uma face marcante e singular do funcionamento simbólico.
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