“A colheita é comum, mas o capinar é sozinho”

microrrelatos ecumênicos e oralitura meeira em Grande sertão: veredas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2025v29n67p545-582

Palavras-chave:

“omelete ecumênico”, oralitura, espiritualidades diaspóricas

Resumo

Este ensaio hermenêutico analisa o polifônico romance de Guimarães Rosa, partindo de sua afirmação de que, para além da representação de uma paisagem regionalista, sua obra se concebe como um “omelete ecumênico”. Essa metáfora é o fio condutor para leva a explorar a dimensão universal e espiritual de Grande Sertão: Veredas. O estudo confronta esse pressuposto com passagens da obra, tal como aquelas em que Ribaldo anuncia sua adesão a “toda religião” e sua reflexão metapoética sobre a “colheita comum” e o “capinar sozinho”, sugerindo uma produção de sentidos compartilhada entre autor e leitor. Como referencial teórico, o texto abraça o conceito de “oralitura” para prospectar a hipótese de que Riobaldo, em sua condição de griô-bardo-rapsodo, inscreve em sua narrativa elementos simbólicos de um “ser-tão” ecumênico, espaço mítico em que o sagrado e o profano se agregam e se temperam mutuamente. A paisagem sertaneja, inicialmente regionalista, transmuta-se agora em um espaço simbólico que acolhe e representa múltiplas espiritualidades. A análise propõe que Rosa, ao conceber e plasmar verbalmente seu “omelete ecumênico”, convida o leitor a degustar oralmente um universo poético que transcende fronteiras geográficas, linguísticas, estéticas e religiosas, mesclando ingredientes votivos encontrados em toda a “terra habitada” (oikumene), reflexos privilegiados de uma experiência existencial e poética totalizante, na qual o autor-narrador, como bem define Walter Benjamin, oferece sua própria vida como matéria para a narração.

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Biografia do Autor

Marcelo Marinho, Universidade Federal da Integração Latino-Americana

Graduado em Letras Modernas (língua e civilização francesas), assim como em Literatura Geral e Comparada (literatura brasileira e hispano-americana), com mestrado e doutorado em Literatura Comparada, sempre pela Sorbonne-Nouvelle (Université de Paris III). É professor de literatura comparada na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). Lecionou, como Professor Visitante, na Universidade Eötvös Loránd de Budapeste (2002-2004) e na Université du Québec à Montréal (2004-2006).

Elizabete da Conceição Vieira, Secretaria Municipal de Educação - Foz do Iguaçu - Paraná

Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Literatura Comparada pela Universidade Federal Da Integração Latino-Americana (2024). Licenciatura em Pedagogia, pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (2018). Graduada em Letras, Artes e Mediação Cultural (Bacharel), pela Universidade Federal Da Integração Latino-Americana (2014). Especialização em Educação: Métodos e técnicas de Ensino, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (2018). Especialização em Educação: Alfabetização e Letramento, Centro Universitário UNINTER (2019). Pós-graduação em Educação: Contação de Histórias e Musicalização na Educação Infantil, União Brasileira de Faculdades (2022). Pós-graduação em Educação: Leitura e produção de Texto, União Brasileira de Faculdades (2022). 

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Publicado

31-12-2025

Como Citar

MARINHO, Marcelo; VIEIRA, Elizabete. “A colheita é comum, mas o capinar é sozinho”: microrrelatos ecumênicos e oralitura meeira em Grande sertão: veredas. Scripta, Belo Horizonte, v. 29, n. 67, p. 545–582, 2025. DOI: 10.5752/P.2358-3428.2025v29n67p545-582. Disponível em: https://periodicos.pucminas.br/scripta/article/view/36633. Acesso em: 15 set. 2026.