JOGO MANCALA DE GUINÉ BISSAU EM DIÁLOGO COM A ETNOMATEMÁTICA: um dos caminhos para decolonialidade do saber

  • Eliane Costa Santos UNILAB
  • Samora Caetano UNILOAB

Resumo

Este artigo descreve um recorte de uma pesquisa, na linha da Etnomatemática, em processo de execução, mas que já apresenta resultados parciais. Pretende-se discutir a necessidade de serem trabalhados na escola os conhecimentos dos países ditos “periféricos” no mundo, no intento de pensar, com a sala de aula, um dos caminhos afrocentrados para a decolonialidade do saber das culturas ditas “periféricas”, especialmente, dos africanos de Guiné- Bissau, como maneira de contribuir para descolonização do saber. Nesse sentido, trazemos um jogo de origem africana, especificamente de Guiné-Bissau, denominado de Mancala, apontando como ele pode ser trabalhado nas instituições escolares, com intuito de promover a intersecção da Matemática com as culturas não hegemônicas. Um dos objetivos é mostrar a importância de tais conhecimentos nessa perspectiva serem introduzidos no currículo escolar de forma a contribuir para com a decolonialidade, desconstruindo barreiras cientificas que rejeitam os saberes não eurocêntricos. Para realização deste trabalho tomamos como base D´Ambrosio (2001), para pensar episte-mologia etnomatemática; Powel e Bairral (2006), acerca da linguagem matemática; Quijano (2005) e Sousa Santos (2009), para pensar a decolonialidade do saber, e Santos (2018) para entender a etnomatemática e cultura africana. O jogo foi desenvolvido na disciplina de Etnomatemática na UNILAB (2017.2) e aplicado em turmas do Ensino Fundamental do município de Acarape e na formação de professores trazemos como um dos resultados do projeto, os depoimentos, tanto da professora quanto dos estudantes que apontaram a necessidade de estes fazeres e saberesa serem também abordados na sala de aula a fim de desconstruir ou reconstruir outros caminhos ou outras formas de pensar a
Matemática escolar.


Palavras-chave: Matemática Escolar. Etnomatemática. Decolonialidade. Epistemologia. Jogo Mancala.

Biografia do Autor

Eliane Costa Santos, UNILAB

Professora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), Instituto
de Humanidades, IH/Males, Bahia, Brasil. Soteropolitana, coordenadora do GIEPEM – Grupo Interdisciplinar
de Estudo e Pesquisa em Etnomatemática. E-mail: elianecostasantos@unilab.edu.br

Samora Caetano, UNILOAB

Bacharel em Humanidades, da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira
(UNILAB), Guineense de Bissau da etnia Mancanhi. Graduando no curso da Pedagogia de UNILAB,
Instituto de Humanidades, Ceará, Brasil. Membro do GIEPEM – Grupo Interdisciplinar de Estudo e Pesquisa
em Etnomatemática. E-mail: samoracaetano@homtail.com

Referências

ASANTE. Molefi K. Afrocentricidade: Notas sobre uma posição disciplinar. In: In: NASCIMENTO, Elisa Larkin (Org). Afrocentricidade: uma abordagem epis-temológica inovadora. São Paulo: Selo Negro, 2009. p. 93-110.

D‟AMBRÓSIO, Ubiratan. Etnomatemática: elo entre as tradições e a moderni-dade. Autêntica Editora: Belo Horizonte, 2001.

DIAS, Letícia Pires. A construção do conhecimento em crianças com difi-culdades em matemática utilizando o jogo de regras mancala. 2009. 163f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009.

GERDES, Paulus. Etnomatemática: reflexões sobre matemática e diversidade cultural. Ribeirão, 2007.

KAPHAGAWI. D. N. e MALHERBE. J. G. Epistemologia Africana. In: COETZEE, Peter H.; ROUX, Abraham P. J. (Orgs). The African Philosophy Reader. New York: Routledge, 2002. p. 219- 229.

MAZAMA. Ama. Afrocentricidade como um novo paradigma. In: NASCIMENTO, Elisa Larkin (Org). Afrocentricidade: uma abordagem epistemológica inovado-ra. São Paulo: Selo Negro, 2009. p.111-128.

Disponível em: https://afrocentricidade.wordpress.com/2013/09/07/a=afrocentricidade-como-um-novo-paradigma . Acesso em: 16 jun. 2018.

MIGNOLO, Walter. Histórias locais/projetos globais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. Belo Horizonte: Editora UFMG: 2003.

NASCIMENTO, Elisa Larkin (Org). Afrocentricidade: uma abordagem episte-mológica inovadora. São Paulo: Selo Negro, 2009. p. 37-70.

OLIVEIRA, Eduardo David de. Filosofia da ancestralidade como filosofia africa-na: educação e cultura afro-brasileira. Revista Sul-Americana de Filosofia e Educação, n.18, p. 28-47, maio/out. 2012.

QUIJANO, Anibal. “Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina”. In: LANDER, Edgardo (Org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciên-cias sociais. Perspectivas Latino-americana. Buenos Aires: Clacso, 2005.

RABAKA. Reiland. Teoria Crítica Africana In: NASCIMENTO, Elisa Larkin (Org). Afrocentricidade: uma abordagem epistemológica inovadora. São Paulo: Selo Negro, 2009. 129-146.

SANTOS. Boaventura de Sousa. Para uma sociologia das ausências e uma so-ciologia das emergências. In: __________ (org). Conhecimento prudente para uma vida decente: um discurso sobre as ciências. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2006.

SANTOS, Eliane Costa. As ticas da matema de algumas etnias africanas: supor-te para a decolonialidade do saber. Revista da Associação Brasileira de Pes-quisadores/as Negros/as ABPN, v. 10, p. 88-112, jan. 2018. Disponível em: www.abpnrevista.org.br/revista/index.php/revistaabpn1/article/view/531. Acesso em: 3 ago. 2018.

_________________. Para além dos números... África e africanidade na forma-ção de professores: enfoque etnomatemático para uma reorientação educacio-nal. 2014. f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014.

SANTOS, Eliane Costa. The "Ticas" of "Matema" of an African People: an exer-cise for the Brazilian Classroom. Revista Latinoamericana de Etnomatemáti-ca, v. 1, n. 2, p. 27-74, jul. 2008.

Disponível em: www.researchgate.net/publication/50425240_The_Ticas_of_Matema_of_an_African_People_An_exercise_for_the_Brazilian_Classroom. Acesso em: 3 ago. 2018.

___________________. Os tecidos de Gana como atividade escolar: uma inter-venção etnomatemático para a sala de aula. 2008. 158f. Dissertação (Mes-trado em Educação Matemática) – Pontifícia Universidade Católica de São Pau-lo, São Paulo, 2008. Disponível em: https://sapientia.pucsp.br/handle/handle/11295. Acesso em: 5 jan. 2018.

SANTOS, Eliane Costa; FRANÇA, Maria da Conceição Santos. Simbiose entre Etnomatemática e a cultura Africana: Jogo Mancala Awelé em sala de aula. Com a Palavra, o Professor, [S.l.], v. 2, n. 2, p. 88-99, ago. 2017. Disponível em: http://revista.geem.mat.br/index.php/CPP/article/view/170. Acesso em: 3 ago. 2018.

SOUZA JÚNIOR, Antonio Flávio Maciel de; ALBUQUERQUE. Eliza Távora de; SANTOS, Eliane Costa. A etnomatemática no currículo escolar: reflexões sobre os desafios e possibilidades. CONGRESSO INTERNACIONAL ARTEFATOS DA CULTURA NEGRA UNIVERSIDADE, 9., 2018, Cariri. Anais... Regional do Cari-ri, p. 432-440. Disponível em: http://www.urca.br/artefatosculturanegra/ix/wpcontent/uploads/2019/02/Artefatos-CNegra-2018-ST-9.pdf. Acesso em: 3 ago. 2018.

ZUIN, Elenice de Souza Lodron; SANT‟ANNA, Nádia Aparecida dos Santos. Pro-duzindo aproximações da cultura africana com a Matemática escolar: a utiliza-ção do jogo Mancala. Pedagogia em Ação, v.7, n.1, p.7-26, 2015.

Publicado
30-08-2019
Seção
Artigos