Tristes trópicos: memórias do colonialismo na obra de Diana Andringa

  • Aparecida de Fátima Bueno
Palavras-chave: Diana Andringa, Documentário, Memória e História, Colonialismo, Pós-Colonialismo

Resumo

Resumo: A produção documental da jornalista Diana Andringa se caracteriza por uma revisitação crítica do salazarismo, iniciada no período em que trabalhou na RTP, de 1978 a 2001, e que se acentua a partir de seu desligamento da emissora, quando passa a atuar como documentarista independente. Da primeira fase, destacam-se Goa, 20 anos depois (1981), a série Geração de 60 (1989), Aristides de Sousa Mendes, o cônsul injustiçado (1992) e Humberto Delgado, obviamente assassinaram-no (1994), os dois últimos realizados por Teresa Olga, com argumento de Diana Andringa. A partir de 2001, sobressaem os documentários relacionados ao passado colonial português: Timor, o sonho do crocodilo (2002),  As duas faces da guerra (2007), em parceria com o cineasta guineense Flora Gomes, Dundo, memória colonial (2009), Tarrafal, memórias do campo da morte lenta (2010), Operação Angola: fugir para lutar (2015) e Guiné-Bissau: da memória ao futuro (2019). Uma visada neste corpus revela a coerência do conjunto da obra de Andringa na busca por resgatar a memória da resistência ao Estado Novo e da luta contra o colonialismo, desde o período em que atuava na RTP. Nosso objetivo, a partir da análise de parte dessa produção, é o de refletir sobre o seu papel no processo de revisitação do passado português no último século.

Biografia do Autor

Aparecida de Fátima Bueno

Doutorado em TEORIA E HISTÓRIA LITERÁRIA pela Universidade Estadual de Campinas em 2000. Atualmente é Professor Associado da Universidade de São Paulo. Realizou Pós-Doutoramento na Universidade de Lisboa (2004-2005), com bolsa da Fapesp. Publicou inúmeros artigos em periódicos especializados e inúmeros trabalhos em anais de eventos, tanto no Brasil como no exterior. Possui diversos capítulos de livros e 2 livros publicados. Tem orientado trabalhos em nível de iniciação científica, mestrado e doutorado. Suas pesquisas exploram as relações entre Literatura, História e Cultura, com enfoques na Literatura Portuguesa Oitocentista e Contemporânea, além dos diálogos entre Literatura e Cinema. Atua na área de Letras, com ênfase em Literaturas de Língua Portuguesa.

Referências

ANDRINGA, Diana. Funcionários da verdade. Profissionalismo e responsabilidade social dos jornalistas do serviço público de televisão. Lisboa: Tinta da China, 2014.
ANDRINGA, Diana. Depoimento sobre Dundo, memória colonial. Disponível em: http://www.buala.org/pt/afroscreen/dundo-memoria-colonial, acesso em 31 de julho de 2019.
APA, Lívia. A terceira margem da História. Apontamentos em volta de As duas faces da guerra de Diana Andringa e Flora Gomes. Abril, Revista do Centro de Estudos Portugueses e Africanos da UFF, v. 3, n. 5, p.89-96, novembro de 2010. Disponível em https://periodicos.uff.br/revistaabril/article/view/29766/17307, acesso em 30 de agosto de 2020.
ARAÚJO, Maria Paula Nascimento; SANTOS, Myrian Sepúlveda dos. História, memória e esquecimento: implicações políticas. Revista crítica de ciências sociais, Coimbra, n. 79, p. 95-111, Dez. 2007.
DUAS FACES da guerra, As. Direção de Diana Andringa e Flora Gomes. Portugal: LX filmes, 2007. DVD (105 min.).
DUNDO, memória colonial. Direção de Diana Andringa. Portugal: LX filmes, 2009. DVD (60 min.).
FERRO, Marc. Cinema e história (trad. Flávia Nascimento). São Paulo: Paz e Terra, 2010.
GUINÉ-BISSAU: da memória ao futuro. Direção de Diana Andringa. Portugal/Guiné-Bissau: Garden Films/CES-UC, 2019.
HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. São Paulo: Vértice, 1990.
LOURENÇO, Eduardo. Portugal como destino. In: LOURENÇO, Eduardo. Mitologia da Saudade. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, p.89-154.
OPERAÇÃO Angola: fugir para lutar. Direção Diana Andringa. Portugal/Moçambique: Persona Non Grata Pictures, 2015. Disponível em https://www.rtp.pt/play/p2166/e216473/operacao-angola-fugir-para-lutar (parte 1) e https://www.rtp.pt/play/p2166/operacao-angola-fugir-para-lutar (parte 2), acesso em 20 de setembro de 2020.
PIÇARRA, Maria do Carmo. Azuis ultramarinos. Propaganda e censura no cinema do Estado Novo. Lisboa: Edições 70, 2015.
PIÇARRA, Maria do Carmo. Salazar vai ao cinema II. A “política do espírito” no Jornal Português. Lisboa: Drella Design, 2011.
PAULO, Heloísa. Documentarismo e propaganda. As imagens e os sons do regime. In: TORGAL, Luís Reis (coord.). O cinema sob o olhar de Salazar. Lisboa: Círculo de Leitores, 2001. p. 92-116.
RAMOS, José da Costa. Diamang – cinema a preto-e-branco. In: PIÇARRA, Maria do Carmo; ANTÓNIO, Jorge (coord.). Angola. O nascimento de uma nação. (vol. I O cinema do Império). Lisboa: Guerra e Paz, 2013. p. 97-122.
TARRAFAL: memórias do campo da morte lenta. Direção de Diana Andringa. Portugal: LX filmes, 2010. DVD (91 min.).
TORGAL, Luís Reis (coord.). O cinema sob o olhar de Salazar. Lisboa: Círculo de Leitores, 2001.
VECCHI, Roberto. Excepção atlântica. Pensar a literatura da guerra colonial. Porto: Edições Afrontamento, 2010.
VIEIRA, José Luandino. Papéis da prisão. Apontamentos, diário, correspondência (1962-1971) (org. de Margarida Calafate Ribeiro, Monica V. Silva e Roberto Vecchi). Lisboa: Caminho, 2015.
Publicado
18-12-2020
Como Citar
Bueno, A. de F. (2020). Tristes trópicos: memórias do colonialismo na obra de Diana Andringa. Scripta, 24(52), 261-285. https://doi.org/10.5752/P.2358-3428.2020v24n52p261-285