Concepções de “palavra” em escolas de educação infantil

  • Lourenço Chacon
Palavras-chave: Aquisição da escrita, Palavra, Letramento.

Resumo

Buscamos conhecer as concepções que vinte e três docentes de educação infantil teriam de “palavra”, bem como os “ecos” que essas concepções teriam em seus alunos de 4 a 6 anos. Uma concepção fundamentalmente gráfica e semântica foi detectada no conjunto das docentes, com “ecos” em uma parte das crianças. Em outra parte, detectamos outras concepções, que remetiam a aspectos enunciativos, pragmáticos e discursivos da linguagem. Rupturas entre o trabalho com as práticas de letramento e o trabalho com as unidades da língua, na alfabetização, puderam, portanto, ser fortemente detectadas nas respostas das docentes. Essas rupturas, porém, não necessariamente foram feitas pelas crianças – que parecem não abrir mão de conhecimentos que trazem de sua circulação por múltiplas práticas de oralidade e de letramento ao lidarem com o conhecimento de unidades da língua, como a palavra, em seu ingresso formal no universo da escrita.



Referências

ABAURRE, M.B.M. Linguística e psicopedagogia. In: SCOZ, B.J.L. et al. (Org.) Psicopedagogia: o caráter interdisciplinar na formação e atuação profissional. Porto Alegre: Artes Médicas, 1987, p. 186-216.

ABAURRE, M.B.M. O que revelam os textos espontâneos sobre a representação que faz a criança do objeto escrito? In: KATO, M.A. (Org.) A concepção da escrita pela criança. Campinas: Pontes, 1988, p.135-42.

ABAURRE, M.B.M. Oral and written texts: beyond the descriptive illusion of similarities and differences. Campinas: Unicamp, 1989.

ABAURRE, M.B.M. A relevância dos critérios prosódicos e semânticos na elaboração de hipóteses sobre segmentação na escrita inicial. Boletim da Abralin, v. 11, 1991. p. 203-217.

ABAURRE, M.B.M. Os estudos linguísticos e a aquisição da escrita. In: CASTRO, M.F.P. (Org.) O método e o dado no estudo da linguagem. Campinas: Unicamp, 1996, p. 111-178.

ABAURRE, M.B.M. Horizontes e limites de um programa de investigação em aquisição da escrita In: LAMPRECHT, R. R. (Org.) Aquisição da linguagem: questões e análises. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1999, p. 167-186.

ABAURRE, M.B.M ; CAGLIARI, L.C. Textos espontâneos na primeira série: evidência da utilização, pela criança, de sua percepção fonética para representar e segmentar a escrita. Cadernos Cedes, São Paulo, v. 14, 1985. p. 25-29.

ABAURRE, M. B. M.; SILVA, A. O desenvolvimento de critérios de segmentação na escrita. Temas em psicologia, São Paulo, v. 1, 1993. p. 89-102.

CAPRISTANO, C.C. Aquisição da escrita infantil: considerações sobre a relação oralescrito. In: V SIMPÓSIO DE FILOSOFIA E CIÊNCIA, 5, 2003, Marília. Trabalho e conhecimento: desafios e responsabilidades da ciência. Marília: Unesp, 2003.

CAPRISTANO, C.C. A propósito da escrita infantil: uma reflexão sobre as segmentações não-convencionais. Letras de Hoje, Porto Alegre, v. 39, n. 3, 2004. p. 245-260.

CAPRISTANO, C.C. Segmentação na escrita infantil. São Paulo: Martins Fontes, 2007a.

CAPRISTANO, C.C. Mudanças na trajetória da criança em direção à palavra. 2007b. 132 p. Tese (Doutorado em Linguística Aplicada) – Universidade de Campinas, Instituto de Estudos da Linguagem, Campinas.

CHACON, L. Constituintes prosódicos e letramento em segmentações nãoconvencionais. Letras de Hoje, Porto Alegre, v. 39, n. 3, 2004. p. 223-232.

CHACON, L. Hipersegmentações na escrita infantil: entrelaçamento de práticas de oralidade e de letramento. Estudos Linguísticos, Campinas, v. 34, 2005. p. 77-86.

CHACON, L. Prosódia e letramento em hipersegmentações: reflexões sobre a aquisição da noção de palavra. In: CORRÊA, M.L.G. (Org.) Ensino de língua: representação e letramento. Campinas: Mercado de Letras, 2006a.

CHACON, L. Prosodia y cultura letrada en hipersegmentaciones: reflexiones sobre la adquisición de la noción de palabra. Lenguas Vivas, v. 6, 2006b. p. 48-59.

CUNHA, A.P.N. A hipo e a hipersegmentação nos dados de aquisição da escrita: um estudo sobre a influência da prosódia. 2004. 132 p. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal de Pelotas, Pelotas.

MIRANDA, A.R.M. A aquisição ortográfica das vogais do português: relações com a fonologia e a morfologia. Revista Letras, Santa Maria, n. 36, jan./jul. 2008a. p.151-168.

MIRANDA, A.R.M. Aspectos da escrita espontânea e da sua relação com o conhecimento fonológico. In: LAMPRECHT, R.R. Aquisição da linguagem: estudos recentes no Brasil. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008b.

OLIVEIRA, M.A. Conhecimento linguístico e apropriação do sistema de escrita. Belo Horizonte: CEALE/FAE/UFMG, 2005.

OLIVEIRA, M.A. Aspectos linguísticos da alfabetização. CEALE Debate, Belo Horizonte, FAE/UFMG, 2006.

OLIVEIRA, M.A.; ALVARENGA, D. Canonicidade silábica e aprendizagem da escrita. Revista de Estudos da Linguagem, Belo Horizonte, v. 1, n. 5, 1997. p. 127-

OLIVEIRA, M.A.; ASSUMPÇÃO, S.R.B. Para além da frase: os recursos de pontuação como elementos de natureza textual e sociodiscursiva. In: ENCONTRO

DO CELSUL, 5, 2002, Curitiba. Anais do 5º Encontro do CELSUL. Curitiba: CELSUL, 2002.

SERRA, M. P. Segmentação de palavras: prosódia e convenções ortográficas na elaboração da escrita infantil. 2007. 102 p. Dissertação (Mestrado em Estudos Linguísticos) – Universidade Estadual Paulista, Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, São José do Rio Preto.

SILVA, A. Alfabetização: a escrita espontânea. São Paulo: Contexto, 1994.

TENANI, L.E. Segmentações não-convencionais e teorias fonológicas. Letras de Hoje, Porto Alegre, v. 39, n. 3, 4, 2004. p. 233-244.

Publicado
27-07-2009
Como Citar
Chacon, L. (2009). Concepções de “palavra” em escolas de educação infantil. Scripta, 13(24), 173-186. Recuperado de http://periodicos.pucminas.br/index.php/scripta/article/view/4402
Seção
Dossiê: Ensino-aprendizagem da escrita na formação de profissionais de nível universitário