A EDUCAÇÃO PÚBLICA BRASILEIRA, UM PROJETO DE EXCLUSÃO NACIONAL

o ensino como fonte de manutenção de privilégios

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5752/P.2318-7344.2026v14n23p74-97

Palavras-chave:

Direito à educação, Educação e direito social, História da educação, Educação e projeto de Estado, Educação e exclusão

Resumo

Este artigo apresenta uma análise da legislação educacional no Brasil a partir da inserção do direito à educação nos textos constitucionais. Fundamenta-se na tradição histórico-crítica e tem como objetivo demonstrar que o direito à educação pública foi instrumentalizado como fonte de manutenção de privilégios pela elite nacional a partir da inserção nos textos legais de mecanismos que estabeleceram padrões de exclusão de gênero, raça e classe, interditando do direito à participação política dos não alfabetizados. Considerando-se para tal as contribuições de José Murilo de Carvalho e Lima Barreto argumenta-se a determinação do critério de alfabetização como condicionante à participação política implicou na redução do eleitorado e possibilitou o estabelecimento de um perfil de cidadania excludente.  Requisito que perdurou por 104 anos, entre 1881 e 1985, presente desde a elaboração do Ato Adicional de 1834 e da Lei Saraiva 1881. A narrativa ressalta que o sistema de ensino se estruturou ao longo do século XX como mecanismo de restrição à cidadania e ao sufrágio universal, sendo utilizado pelas elites para garantir interesses privatistas e manutenção de privilégios, evidenciando-se que a escola neutra nunca existiu no Brasil. Tal panorama de exclusão é reforçado em pelo menos duas (2) das cinco (5) Constituições promulgadas neste período (1934, 1937, 1946, 1967, 1988), frutos de golpes de Estado e outorgadas, em 1937 e 1967, oferecendo elementos para a compreensão dos desafios estruturais que a educação, consignada como direito social pela Constituição de 1988, busca superar no contexto nacional.

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Biografia do Autor

Adriene Aparecida Figueredo Gomes, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Mestre em Educação (PUC/MG). Professora de História da Educação Básica nas redes públicas, estadual e municipal, em Contagem/MG.

Amauri Carlos Ferreira, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Possui graduação em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1989), mestrado em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1995) e doutorado em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (2002). Estágio de Pós doutorado - UFMG (2009) Atualmente é professor /pesquisador, adjunto iv da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Professor do Programa de Pós Graduação em Educação -PUC-Minas. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Ética, atuando principalmente nos seguintes temas: educação, ética, bioética, alteridade, autonomia e escola. Vinculado as associações: ADPUC, ANPED (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação), SOTER(Sociedade de Teologia e Ciências da Religião) SBPC, ABHR (Associação Brasileira de História das Religiões), FONAPER ( Fórum nacional Permanente do Ensino Religioso), AILPcs ,SBB (Sociedade Brasileira de Bioética)

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Publicado

2026-07-24

Como Citar

GOMES, Adriene Aparecida Figueredo; FERREIRA, Amauri Carlos. A EDUCAÇÃO PÚBLICA BRASILEIRA, UM PROJETO DE EXCLUSÃO NACIONAL: o ensino como fonte de manutenção de privilégios. @rquivo Brasileiro de Educação, Belo Horizonte, v. 14, n. 23, p. 74–97, 2026. DOI: 10.5752/P.2318-7344.2026v14n23p74-97. Disponível em: https://periodicos.pucminas.br/arquivobrasileiroeducacao/article/view/38379. Acesso em: 30 jul. 2026.